Ouvido entupido depois da gripe: por que acontece e o que fazer
A gripe vai embora, mas o ouvido continua abafado, como se você estivesse dentro de um avião em pouso. A sensação de ouvido entupido depois de um resfriado é muito comum e, na maior parte das vezes, melhora sozinha em poucos dias. Ainda assim, ela incomoda, pode vir acompanhada de dor ou zumbido e, em alguns casos, sinaliza uma inflamação que precisa de avaliação. Veja por que isso acontece, o que ajuda e o que é melhor evitar.
Por que a gripe entope o ouvido
O ouvido e o nariz são ligados por um canal fino chamado tuba auditiva (antigamente conhecida como trompa de Eustáquio). Ela abre rapidamente quando engolimos ou bocejamos e serve para equilibrar a pressão de ar dentro do ouvido médio, a região atrás do tímpano.
Durante a gripe, o nariz e a garganta ficam inflamados e cheios de secreção. A mucosa incha e a tuba auditiva passa a abrir mal. Com isso, a pressão dentro do ouvido fica diferente da pressão de fora, o tímpano se retrai e a pessoa sente o ouvido tampado, a própria voz ecoando e os sons do ambiente abafados. O nome técnico desse quadro é disfunção tubária (quando a tuba auditiva não funciona direito).
Sintomas mais comuns
Sensação de ouvido tampado ou de pressão dentro do ouvido.
Audição abafada, como se houvesse algodão no ouvido.
Autofonia, quando a própria voz soa mais alta ou ecoa por dentro.
Estalos ao engolir ou bocejar.
Zumbido leve, que costuma diminuir junto com a melhora da gripe.
Esses sinais tendem a aparecer nos últimos dias do resfriado e podem durar de alguns dias a duas ou três semanas, enquanto a inflamação do nariz se resolve.
Quando o ouvido entupido vira otite
Às vezes, a secreção acumulada atrás do tímpano não consegue sair pela tuba auditiva e serve de ambiente para bactérias. Aí surge a otite média aguda, uma infecção do ouvido médio. Os sinais de alerta são dor de ouvido intensa, febre que volta depois de a gripe ter melhorado, saída de secreção ou sangue pelo ouvido e piora importante da audição.
Em crianças, que têm a tuba auditiva mais curta e horizontal, esse caminho é ainda mais frequente. Choro ao deitar, irritação e o hábito de levar a mão à orelha merecem atenção dos pais.
Brasília, tempo seco e o nariz que não desincha
Quem mora no Distrito Federal sabe que o clima pesa nas vias respiratórias. Na estiagem, a umidade do ar cai muito, o nariz resseca e a secreção fica mais grossa, o que dificulta a drenagem natural. Na volta das chuvas, entre outubro e novembro, as mudanças bruscas de temperatura e o mofo nos ambientes fechados favorecem resfriados e crises de rinite.
Para quem tem rinite alérgica, o problema costuma ser maior: o nariz já vive inflamado e a tuba auditiva demora mais para voltar ao normal depois de cada gripe. Por isso, tratar bem o nariz é parte importante de cuidar do ouvido.
E o remédio da farmácia para desentupir o ouvido?
É uma das buscas mais comuns na internet, e a resposta exige cuidado. Existem medicamentos que ajudam a reduzir a inflamação do nariz, mas a escolha depende da causa do entupimento, da idade e da saúde de cada pessoa. Descongestionantes nasais usados por conta própria e por muitos dias, por exemplo, podem causar efeito rebote e deixar o nariz ainda mais entupido, além de não serem indicados para quem tem pressão alta ou algumas doenças do coração.
Gotas para ouvido também não resolvem esse tipo de entupimento, porque o problema está atrás do tímpano, e não no canal externo. Pingar qualquer produto sem saber se o tímpano está íntegro pode até piorar o quadro. Por isso, o caminho mais seguro é não se automedicar e procurar orientação quando o incômodo não passa.
Cuidados práticos enquanto o ouvido não desentope
Engolir, bocejar ou mascar chiclete ajuda a tuba auditiva a abrir naturalmente.
Beba bastante água: o corpo hidratado deixa a secreção mais fluida, o que faz diferença no clima seco de Brasília.
Assoe o nariz com delicadeza, uma narina de cada vez, sem fazer força.
Use umidificador ou uma toalha molhada no quarto nos dias mais secos.
Não coloque cotonete, óleos, alho ou objetos dentro do ouvido, e não use velas de ouvido.
Evite mergulho e, se possível, viagens de avião enquanto o ouvido estiver tampado.
A lavagem nasal com soro fisiológico pode ajudar, desde que feita do jeito orientado pelo médico, com pouca pressão.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se o ouvido continuar entupido por mais de duas semanas depois da gripe, se houver dor forte, febre, secreção saindo pelo ouvido, tontura ou perda de audição que não melhora. A perda súbita de audição em um dos ouvidos, mesmo sem dor, deve ser avaliada com urgência, porque o tempo até o atendimento faz diferença.
Na consulta, o otorrinolaringologista examina o tímpano com aparelhos próprios e, quando necessário, pede exames como a audiometria (teste da audição) e a imitanciometria (exame que mede a pressão e o movimento do tímpano). Assim, é possível diferenciar um simples entupimento de uma otite ou de outra causa.
O OtorrinoDF tem quatro unidades em Brasília, uma equipe de 33 especialistas e atende mais de 60 convênios. Se o seu ouvido não voltou ao normal depois da gripe, agende uma avaliação.
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