Dor de ouvido: as causas mais comuns e quando procurar o otorrino
A dor de ouvido é uma das queixas mais comuns nos consultórios de otorrinolaringologia, em crianças e em adultos. Ela pode ser uma pontada rápida, uma dor latejante que piora à noite ou um incômodo que vai e volta ao mastigar. O que pouca gente sabe é que nem toda dor de ouvido nasce dentro do ouvido: às vezes a origem está na garganta, nos dentes ou na articulação da mandíbula. Entender as causas mais frequentes ajuda a reconhecer quando dá para observar e quando é hora de procurar avaliação.
Por que o ouvido dói
O ouvido é dividido em três partes: o ouvido externo (o canal que vai até o tímpano), o ouvido médio (a cavidade atrás do tímpano) e o ouvido interno. Essa região recebe nervos que também passam pela garganta, pela boca e pela face. Por isso, uma inflamação em qualquer um desses lugares pode ser sentida como dor no ouvido. Os médicos chamam isso de otalgia referida (dor que aparece no ouvido, mas vem de outro ponto).
Causas dentro do ouvido
A otite média, infecção do ouvido médio, é muito comum depois de gripes e resfriados, principalmente em crianças. A secreção se acumula atrás do tímpano e causa dor, sensação de ouvido tampado, às vezes febre e diminuição da audição. Em bebês, sinais como choro ao deitar, irritação e mão levada à orelha podem ser a pista.
A otite externa, inflamação do canal do ouvido, aparece com frequência em quem nada, mergulha ou usa cotonete. A pele do canal fica sensível, e a dor piora ao tocar ou puxar a orelha. Outras causas locais incluem rolha de cera, corpo estranho no ouvido (frequente em crianças pequenas), furúnculo no canal e machucados causados por objetos introduzidos no ouvido.
Quando a dor vem de fora do ouvido
Se o ouvido parece normal no exame e mesmo assim dói, o otorrinolaringologista investiga as regiões vizinhas. As causas mais comuns de dor referida são:
Problemas na articulação temporomandibular, a ATM, que liga a mandíbula ao crânio e fica colada ao ouvido. A dor costuma piorar ao mastigar, ao bocejar ou de manhã, em quem range os dentes durante o sono
Dor de garganta, amigdalite e faringite, que podem irradiar para um ou os dois ouvidos, especialmente ao engolir
Problemas dentários, como cárie profunda, inflamação na gengiva ou dente siso nascendo
Sinusite e rinite, que inflamam a tuba auditiva (o canal que liga o nariz ao ouvido) e provocam pressão e dor
Brasília: tempo seco, voos e piscina
O clima de Brasília tem influência direta em algumas dessas causas. Na estiagem, o ar muito seco resseca a pele do canal do ouvido, que passa a coçar. A tentação de coçar com cotonete, grampo ou a ponta da toalha abre caminho para a otite externa. No mesmo período, crises de rinite e sinusite ficam mais frequentes e podem afetar a ventilação do ouvido médio.
Nos meses quentes, os clubes e as piscinas da cidade lotam, e a água parada no ouvido favorece a inflamação do canal. E como Brasília é ponto de conexão de muitos voos, é comum a dor de ouvido na descida do avião, chamada barotrauma (lesão causada pela diferença de pressão), sobretudo em quem viaja gripado ou com o nariz congestionado.
Por que não pingar nada por conta própria
Diante da dor, muita gente pinga no ouvido o que tem em casa: óleo, álcool, chá, alho ou gotas que sobraram de outro tratamento. O risco é real. Se o tímpano estiver perfurado, algumas substâncias podem irritar o ouvido médio e prejudicar a audição. E se a dor vier da garganta ou da mandíbula, a gota não vai resolver e ainda atrasa o diagnóstico. Analgésicos podem aliviar o incômodo, mas a escolha do tratamento depende de saber a causa, e isso só o exame mostra.
Cuidados práticos para proteger os ouvidos
Não use cotonete, grampo ou qualquer objeto dentro do canal do ouvido
Depois do banho ou da piscina, seque apenas a parte de fora da orelha com a toalha
Em voos, mastigue, engula ou boceje na descida para ajudar a equilibrar a pressão
Na seca, beba bastante água e mantenha o nariz hidratado, conforme orientação médica
Trate rinite e sinusite com acompanhamento, já que elas afetam diretamente o ouvido
Se você range os dentes, converse com o dentista sobre a proteção da ATM
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se a dor durar mais de dois ou três dias, vier com febre, secreção ou sangue saindo do ouvido, perda de audição, zumbido ou tontura. Em crianças pequenas, consulte logo que houver dor com febre ou irritação persistente. Busque atendimento rápido se surgir inchaço ou vermelhidão atrás da orelha, rosto torto de um lado ou dor muito forte que não melhora.
No OtorrinoDF, o exame do ouvido é feito com equipamentos que permitem ver o canal e o tímpano com detalhe e, quando o ouvido está normal, investigar garganta, nariz e mandíbula na mesma consulta. São quatro unidades em Brasília e mais de 60 convênios para você encontrar a causa da dor e tratar com segurança.
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