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Calor, chuva e queda de temperatura: como a oscilação do clima afeta nariz, garganta e ouvidos

  • há 11 minutos
  • 4 min de leitura

Brasília vive um agosto diferente do habitual. Depois de dias marcados por calor intenso e umidade muito baixa, episódios isolados de chuva começam a interromper o cenário típico da seca. A mudança pode trazer alívio momentâneo, mas a rápida alternância entre calor, chuva, ar seco e queda de temperatura exige atenção especial com o nariz, a garganta e os ouvidos.


O que os dados do INMET mostram


Dados do Instituto Nacional de Meteorologia ajudam a dimensionar esse contraste. Em 10 de agosto, o Distrito Federal registrou a maior temperatura de 2026 até então: 34,3°C na estação do Gama. No mesmo dia, a umidade relativa do ar caiu para 13% na região e chegou a 18% na estação de Brasília, os menores índices do ano nessas localidades.


O calor já estava dentro da tendência prevista pelo INMET para o mês. O prognóstico climático indicava temperaturas acima da média em partes do Centro-Oeste, com desvios de até 1,5°C em algumas áreas da região.


Por que a mudança brusca afeta as vias respiratórias


Segundo o otorrinolaringologista Stênio Ponte, do Grupo OtorrinoDF, as mudanças bruscas nas condições ambientais afetam diretamente os mecanismos naturais de proteção das vias respiratórias.


“O nariz é responsável por filtrar, aquecer e umidificar o ar antes que ele chegue aos pulmões. Quando o ambiente está muito seco ou quando passamos rapidamente do calor para locais frios e climatizados, essa capacidade de defesa pode ficar prejudicada. A mucosa resseca, torna-se mais sensível e surgem sintomas como ardência, coceira, espirros, coriza, obstrução nasal e irritação na garganta”, explica.


Mudança de tempo não causa gripe, mas abre a porta


O especialista ressalta que a mudança de temperatura, por si só, não causa gripes ou resfriados, que são provocados por vírus. No entanto, o ressecamento e a irritação das mucosas podem comprometer a barreira de proteção do organismo. Além disso, em dias de chuva ou de calor intenso, as pessoas tendem a permanecer por mais tempo em ambientes fechados, o que facilita a circulação de vírus respiratórios.


“É comum que o paciente associe diretamente a mudança do tempo ao aparecimento de uma infecção. Na verdade, o que ocorre é uma combinação de fatores: mucosas mais fragilizadas, maior exposição a poeira, ácaros e fungos e permanência em locais fechados. Quem já tem rinite, sinusite, asma ou outras doenças respiratórias costuma sentir essas alterações com maior intensidade”, afirma Stênio Ponte.


Ar-condicionado requer atenção


Nos dias mais quentes, o uso do ar-condicionado aumenta em casas, escritórios, veículos e estabelecimentos comerciais. Embora ajude a reduzir o desconforto térmico, o aparelho retira umidade do ambiente e pode intensificar o ressecamento do nariz e da garganta. Outro ponto importante é a manutenção dos filtros. Quando não são limpos adequadamente, eles podem acumular poeira, ácaros, fungos e outros agentes capazes de desencadear ou agravar crises alérgicas.


“O problema não é simplesmente usar o ar-condicionado, mas permanecer por muitas horas em um ambiente muito frio, seco e com o aparelho sem manutenção. O ideal é evitar temperaturas excessivamente baixas, higienizar os filtros com regularidade e não direcionar o fluxo de ar diretamente para o rosto”, orienta o médico.


Os ouvidos também sentem


Os ouvidos também podem ser afetados, principalmente quando há congestão nasal. Isso ocorre porque o nariz e o ouvido médio se comunicam por meio da tuba auditiva, estrutura responsável por equilibrar a pressão. Quando a região fica inflamada ou obstruída, podem surgir sensação de ouvido tampado, estalos, pressão e desconforto.


Cuidados simples ajudam a prevenir sintomas


Manter uma boa hidratação é uma das principais recomendações durante períodos de baixa umidade e grandes oscilações de temperatura. A ingestão regular de água ajuda a preservar a umidade das mucosas e a fluidificar as secreções. A lavagem nasal com soro fisiológico também pode ser adotada para retirar poeira, poluentes e agentes irritantes.


É importante evitar o uso de descongestionantes nasais por conta própria, principalmente por períodos prolongados, porque esses medicamentos podem causar efeito rebote e outros problemas.


  • Beba água ao longo do dia, sem esperar a sede aparecer

  • Faça lavagem nasal com soro fisiológico para retirar poeira e agentes irritantes

  • Evite temperaturas muito baixas no ar-condicionado e não aponte o fluxo para o rosto

  • Higienize os filtros do aparelho com regularidade

  • Ventile os ambientes e reduza o acúmulo de poeira

  • Não use descongestionante nasal por conta própria



Quando procurar o otorrinolaringologista


“É importante também ventilar os ambientes, reduzir o acúmulo de poeira e observar a duração dos sintomas. Sangramentos nasais frequentes, falta de ar, febre persistente, dor intensa, secreção com odor forte ou sintomas que não melhoram precisam ser avaliados por um médico”, finaliza Stênio Ponte.


No Grupo OtorrinoDF, a avaliação considera o histórico de cada paciente, o exame do nariz, da garganta e dos ouvidos e a relação dos sintomas com o ambiente em que a pessoa vive e trabalha. Em Brasília, onde a estiagem e as oscilações de temperatura fazem parte da rotina de boa parte do ano, entender esse contexto costuma ser parte importante do cuidado.

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Responsável Técnico

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