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Água no ouvido que não sai: o que fazer depois da piscina

há 12 horas
4 min de leitura

Sai da piscina, inclina a cabeça, bate de leve no lado do rosto e nada: a água continua ali dentro, abafando o som e dando aquela sensação de ouvido cheio. É uma queixa de todo fim de semana em Brasília, na temporada de clube e piscina. Na maioria das vezes a água sai sozinha em pouco tempo. O problema quase nunca é a água em si, é o que as pessoas fazem para tentar tirar.


Por que a água fica presa


O canal do ouvido externo não é um tubo reto: tem uma leve curva e termina na membrana timpânica, que fecha a passagem. A água que entra fica nesse trecho, presa pela tensão superficial e por uma pequena camada de cera. Como o canal é fechado no fundo, ela não tem para onde ir a não ser voltar pela mesma entrada. Daí a sensação de som abafado, de estalos e de peso de um lado só.




O que geralmente resolve sozinho


Na maior parte dos casos, bastam gravidade e paciência. Incline a cabeça para o lado afetado, com a orelha apontando para o chão, e puxe o pavilhão levemente para cima e para trás: isso alinha o canal e abre caminho. Mastigar, bocejar ou mexer o maxilar também ajuda. Deitar de lado sobre um travesseiro por alguns minutos resolve boa parte dos casos, sem nada entrar no ouvido.


O que não se deve fazer


Aqui está a parte que mais gera consulta. O cotonete é o campeão: em vez de retirar a água, ele empurra cera e sujeira para o fundo, arranha a pele delicada do canal e pode ferir o tímpano. A mesma lógica vale para grampos, chaves e tampas de caneta. Secador de cabelo apontado de perto e no quente queima a pele do canal. E pingar qualquer líquido por conta própria, incluindo receitas caseiras, é arriscado: se o tímpano estiver perfurado, aquilo chega a um lugar onde não deveria chegar.


Quando vira otite externa


O canal do ouvido tem uma proteção natural, feita pela cera, que mantém o ambiente levemente ácido e seco. Água parada por muito tempo, somada a arranhões de cotonete, desmonta essa barreira e abre espaço para bactérias e fungos. É assim que aparece a otite externa (inflamação do canal do ouvido), conhecida popularmente como ouvido de piscina. O sinal mais característico é a dor ao puxar a orelha ou ao apertar a saliência na frente do canal, algo que a simples água presa não provoca. Pode vir com coceira, secreção e piora rápida da audição daquele lado.


Cerume: quando a água só revela o que já estava lá


Tem um detalhe que explica muito caso teimoso: a cera acumulada absorve a água e incha. Quem já tinha um tampão de cerume sem perceber sai da piscina com o ouvido tapado, e a sensação não passa nem no dia seguinte. Nesse caso não adianta insistir em manobras, porque não é mais a água que está atrapalhando. A remoção do cerume é feita no consultório, com material próprio e visualização direta do canal.


Cuidados práticos para quem vive na água


  • Seque a orelha por fora depois do banho e da piscina, com a ponta da toalha, sem enfiar nada no canal.

  • Incline a cabeça para cada lado ao sair da água e puxe a orelha para cima e para trás, com delicadeza.

  • Deixe o cotonete para a maquiagem: dentro do ouvido, ele empurra a cera e machuca.

  • Use protetor auricular de silicone se você nada com frequência ou já teve otite externa.

  • Se usar secador, deixe no modo frio e a pelo menos trinta centímetros da orelha.

  • Evite piscina com manutenção duvidosa e lagos parados, onde a carga de bactérias é maior.

  • Nada de pingar produtos por conta própria, principalmente se houver dor, secreção ou histórico de perfuração do tímpano.

  • Quem usa aparelho auditivo ou fone intra auricular deve secar bem o ouvido antes de recolocar o dispositivo.



O clima de Brasília muda as contas


Aqui a gente vive dois extremos ao longo do ano, e os dois mexem com o ouvido. Na estiagem, com a umidade lá embaixo, a pele do canal resseca e coça, e o hábito de coçar com o dedo cria pequenas feridas que ficam esperando a próxima piscina. Quando as chuvas voltam, entre setembro e outubro, o calor e o uso intenso de piscina e cachoeira aumentam os casos de ouvido de piscina. E a água de cachoeira e de lago, comum nos passeios de fim de semana no Distrito Federal, tem mais micro organismos do que a piscina tratada.


Quando procurar o otorrinolaringologista


Procure avaliação se a sensação de ouvido tampado passar de vinte e quatro a quarenta e oito horas, se aparecer dor, principalmente ao encostar na orelha, se sair secreção ou sangue, se houver febre, tontura, zumbido ou queda perceptível da audição. O mesmo vale para quem tentou tirar a água com algum objeto e sentiu dor aguda na hora, para quem tem tímpano perfurado ou já fez cirurgia no ouvido, e para crianças pequenas, que nem sempre sabem explicar o que sentem e acabam só puxando a orelha.


O OtorrinoDF atende em quatro unidades em Brasília, com 33 especialistas e mais de 60 convênios, para avaliar o ouvido, remover cerume com segurança e tratar a otite externa. Na dúvida entre insistir em casa e marcar uma consulta, a escolha mais segura é sempre a segunda.

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