Qual médico cuida do ouvido? Entenda quem procurar
O ouvido tapado que não desentope, o zumbido que aparece à noite, a tontura que chega sem aviso, a criança que pede para aumentar o volume da televisão. Quando algo assim começa, a primeira dúvida raramente é sobre o sintoma: é sobre a porta de entrada. Muita gente chega ao pronto atendimento, ao clínico geral ou direto à farmácia porque não sabe que existe um especialista para essa região do corpo. Existe, e ele tem nome.
O médico do ouvido é o otorrinolaringologista
Otorrinolaringologista é o especialista em ouvido, nariz e garganta, e é ele quem cuida de tudo que acontece dentro do ouvido: a orelha, o canal auditivo, o tímpano, os ossinhos da audição, o nervo auditivo e o labirinto, que é a parte responsável pelo equilíbrio. O nome comprido assusta, e por isso quase todo mundo o chama de otorrino. A formação é medicina, seguida de residência médica na especialidade, com registro no Conselho Federal de Medicina.
Vale um detalhe que confunde bastante: a mesma estrutura que ouve é a que equilibra. Por isso a tontura e a vertigem, que muita gente leva ao neurologista ou ao cardiologista, são queixas clássicas de consultório de otorrino.
O que ele trata, na prática
A lista do dia a dia é mais ampla do que parece. Perda de audição em qualquer idade, acúmulo de cera, dor de ouvido, infecções do canal e do ouvido médio, sensação de ouvido tampado, zumbido, tontura e vertigem, perfuração do tímpano, secreção saindo pelo ouvido, sensibilidade exagerada a sons, problemas de audição do recém nascido e adaptação de aparelho auditivo. Também entram os casos em que o ouvido é sintoma e o problema está ao lado, como a rinite que entope a tuba auditiva, ou a articulação da mandíbula que dói e a pessoa sente como dor de ouvido.
Otorrino, fonoaudiólogo e audiologista: quem faz o quê
Essa confusão é frequente e atrapalha o caminho do paciente. O otorrinolaringologista é o médico: examina, investiga a causa, faz diagnóstico, trata clinicamente e opera quando há indicação. O fonoaudiólogo é outro profissional de saúde, não médico, e atua na avaliação da audição, na reabilitação auditiva, na terapia do equilíbrio e no trabalho com a voz e a fala. Audiologista, no Brasil, costuma se referir ao fonoaudiólogo com atuação na área da audição. Os dois trabalham juntos com frequência, e a ordem que funciona é simples: quem define a causa e conduz o caso é o médico, e a reabilitação acontece em parceria.
Como é a consulta
A consulta começa pela conversa, que costuma resolver metade do enigma: quando começou, se é de um lado ou dos dois, se veio depois de um resfriado, de um mergulho ou de um voo, se há zumbido junto. Depois vem o exame do ouvido com o otoscópio, um aparelho com luz que permite ver o canal e o tímpano. Conforme o caso, o médico solicita exames como a audiometria, que mede a audição, a imitanciometria, que avalia o funcionamento do tímpano e da tuba auditiva, e exames de equilíbrio ou de imagem. Nada disso dói, e a maior parte fica pronta no mesmo dia.
O ouvido de quem mora em Brasília
A cidade tem particularidades que aparecem no consultório. Na estiagem, com a umidade despencando, a rinite piora, o nariz entope e a tuba auditiva, que liga o nariz ao ouvido, perde a capacidade de equalizar a pressão. O resultado é aquela sensação de ouvido tampado que não melhora com nada e que na verdade começou no nariz. Do outro lado do ano, a temporada de piscina e clube traz as infecções do canal auditivo, mais comuns em quem tem o hábito de secar o ouvido com cotonete e acaba ferindo a pele. Some a isso o fone de ouvido em volume alto no trânsito do Eixão, que é uma causa silenciosa de perda auditiva em gente jovem.
Cuidados que valem para todo mundo
Não use cotonete, grampo, chave ou vela dentro do ouvido: a cera é proteção e sai sozinha, e o objeto empurra e machuca.
Seque a orelha com a ponta da toalha depois do banho e da piscina, sem introduzir nada no canal.
Mantenha o volume do fone em torno da metade e faça pausas a cada hora de uso.
Trate o nariz, porque boa parte do ouvido tampado começa na rinite e na congestão.
Não pingue nada no ouvido por conta própria, principalmente se houver suspeita de tímpano perfurado.
Leve a sério o teste da orelhinha do bebê e repita a avaliação se a família notar falta de resposta a sons.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se a audição cair de repente, ainda que de um lado só, porque perda súbita é urgência e o tempo de atendimento muda o resultado. Também quando houver dor de ouvido persistente, febre com dor, secreção ou sangue saindo pelo ouvido, tontura que derruba, zumbido que atrapalha o sono ou a concentração, sensação de ouvido tampado por mais de alguns dias, e sempre que houver dúvida sobre a audição de uma criança, em especial atraso para falar ou desatenção na escola.
A maioria dessas queixas tem explicação simples, e o que atrasa a solução é tentar resolver em casa. Na OtorrinoDF, a avaliação do ouvido é feita nas quatro unidades de Brasília, com 33 especialistas e atendimento por mais de 60 convênios, além do particular.
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