Sintomas da apneia do sono: como saber se você tem
Muita gente convive com a apneia do sono por anos sem saber. O motivo é simples: os sinais mais claros acontecem enquanto a pessoa dorme, e quem percebe primeiro costuma ser quem divide o quarto. Durante o dia, o que sobra é um cansaço que parece não ter explicação. Veja quais são os sintomas mais comuns e como o diagnóstico é feito.
O que acontece no corpo durante a apneia
Na apneia obstrutiva do sono, a passagem do ar pela garganta se fecha parcial ou totalmente várias vezes ao longo da noite. Os músculos relaxam, a língua e os tecidos moles da faringe (a parte da garganta atrás da boca e do nariz) colapsam e o ar deixa de passar por alguns segundos. O cérebro percebe a queda de oxigênio e provoca um microdespertar para a respiração voltar. Esse ciclo pode se repetir dezenas de vezes por hora, quase sempre sem que a pessoa se lembre.
O resultado é um sono fragmentado, sem descanso profundo.
Sintomas que aparecem durante a noite
Os sinais noturnos costumam ser notados pelo parceiro ou por familiares. Os mais frequentes são:
Ronco alto e frequente, que muitas vezes incomoda quem está em outro cômodo.
Pausas na respiração, seguidas de um ronco mais forte, um engasgo ou um som de sufocamento.
Despertares repentinos com sensação de falta de ar.
Sono agitado, com muita movimentação na cama e suor noturno.
Vontade de urinar várias vezes durante a madrugada.
Boca seca ao acordar, por respirar pela boca a noite inteira.
Sintomas que aparecem durante o dia
Quem dorme sozinho pode não ter ninguém para relatar o ronco ou as pausas. Por isso, vale prestar atenção ao que acontece depois que o despertador toca:
Acordar cansado, mesmo depois de sete ou oito horas na cama.
Sonolência excessiva: cochilar vendo televisão, em reuniões ou, o que é mais perigoso, ao volante.
Dor de cabeça pela manhã, que melhora ao longo do dia.
Dificuldade de concentração, esquecimentos e queda de rendimento no trabalho ou nos estudos.
Irritabilidade, alterações de humor e diminuição da libido.
Em crianças, o quadro pode ser diferente. Em vez de sonolência, é comum aparecer agitação, dificuldade de atenção na escola, ronco com a boca aberta e xixi na cama depois de já ter deixado as fraldas. Amígdalas e adenoides aumentadas (a adenoide é um tecido que fica no fundo do nariz) estão entre as causas mais comuns nessa idade.
Ronco comum ou apneia: como diferenciar
Nem todo ronco é apneia. O ronco simples acontece pela vibração dos tecidos da garganta, sem interromper a respiração e sem prejudicar o descanso. O que levanta a suspeita de apneia é a combinação do ronco com pausas respiratórias observadas por alguém e com cansaço durante o dia.
Alguns fatores aumentam a chance do problema: excesso de peso, circunferência do pescoço aumentada, desvio de septo, rinite que deixa o nariz entupido, amígdalas grandes, queixo mais recuado, consumo de álcool à noite e idade acima dos 40 anos. Em Brasília, o período de seca costuma piorar a congestão nasal de quem já tem rinite, e o nariz entupido faz a pessoa respirar pela boca e roncar mais. Isso não causa apneia sozinho, mas pode agravar um quadro que já existe.
Como saber se você tem: o diagnóstico
Questionários e aplicativos de celular que gravam o ronco podem ajudar a levantar a suspeita, mas não confirmam a doença. A confirmação vem da polissonografia, o exame do sono. Ele registra a respiração, a oxigenação do sangue, os batimentos do coração, a posição do corpo e as fases do sono ao longo de uma noite.
Além do exame, o otorrinolaringologista avalia o nariz, a garganta e a boca para entender onde está o estreitamento. A videonasofibroscopia (exame com uma câmera fina que passa pelo nariz) ajuda a ver por dentro as estruturas que podem estar dificultando a passagem do ar. A causa muda de pessoa para pessoa, e o tratamento depende dela.
Por que não vale a pena ignorar os sinais
A apneia sem acompanhamento está associada a pressão alta, arritmias, maior risco cardiovascular, piora do controle do diabetes e mais acidentes de trânsito por sonolência. A boa notícia é que existe tratamento e que, com o diagnóstico certo, a qualidade do sono costuma melhorar bastante.
Cuidados práticos enquanto você investiga
Peça a quem dorme com você para observar se há pausas na respiração ou engasgos.
Evite bebida alcoólica nas horas antes de dormir, porque o álcool relaxa ainda mais a musculatura da garganta.
Mantenha horários regulares de sono e evite telas perto da hora de deitar.
Experimente dormir de lado em vez de barriga para cima.
Não dirija se estiver com sono, principalmente em viagens longas.
Não use remédios para dormir por conta própria: alguns podem piorar as pausas respiratórias.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se você ronca alto com frequência, se alguém já percebeu que você para de respirar dormindo, se acorda cansado mesmo dormindo o suficiente ou se sente sono a ponto de cochilar em situações do dia a dia. Em crianças, ronco frequente, respiração pela boca e alterações de comportamento também merecem consulta. O otorrinolaringologista investiga as causas no nariz e na garganta, solicita os exames adequados e indica o caminho de tratamento para cada caso. No OtorrinoDF, você encontra especialistas em sono e vias aéreas em quatro unidades em Brasília.
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