Ouvido entupido: por que acontece e como desentupir sem machucar
A sensação é inconfundível: o som do mundo fica abafado, a própria voz parece ecoar dentro da cabeça e vem aquela vontade quase automática de enfiar o dedo ou um cotonete no ouvido para resolver. Ouvido entupido é uma das queixas mais comuns no consultório de otorrinolaringologia e, na maioria das vezes, tem solução simples. O problema é que a tentativa caseira de desentupir costuma piorar exatamente aquilo que se queria resolver.
Por que o ouvido entope
O ouvido não é um tubo aberto. Ele tem um canal externo que termina no tímpano, e atrás do tímpano existe uma cavidade que se comunica com o fundo do nariz por um canal estreito, a tuba auditiva. Esse canal precisa abrir de vez em quando para equilibrar a pressão dos dois lados. Quando alguma coisa bloqueia o caminho externo ou impede a tuba de abrir, o tímpano deixa de vibrar com liberdade e o cérebro interpreta isso como ouvido tampado.
As causas mais frequentes
A primeira é o excesso de cerume (cera do ouvido). A cera não é sujeira: ela protege, hidrata e tem ação antimicrobiana. O incômodo aparece quando ela se acumula e forma uma rolha, quase sempre porque foi empurrada para dentro por cotonete, grampo ou pela ponta do fone de ouvido.
A segunda é a disfunção da tuba auditiva, muito ligada ao nariz. Resfriado, alergia respiratória e sinusite inflamam a mucosa e fecham a entrada da tuba. Por isso tanta gente fica com o ouvido tampado justamente na semana em que o nariz estava congestionado, e não antes.
Há ainda o acúmulo de líquido atrás do tímpano, comum em crianças depois de infecções de repetição, e as variações bruscas de pressão em voos, mergulhos e descidas de serra. Água retida no canal depois da piscina, corpo estranho e alterações da audição também entram na lista, e é justamente por serem tantas possibilidades que o autodiagnóstico erra com facilidade.
Brasília entope o ouvido pelo nariz
Aqui a conexão entre nariz e ouvido fica escancarada. Na estiagem, entre maio e setembro, a umidade relativa do ar cai a níveis muito baixos e a poeira permanece suspensa por não haver chuva para assentá-la. A mucosa nasal resseca, incha e reage, o que atrapalha o funcionamento da tuba auditiva. Some o ar-condicionado de escritório, a fumaça de queimada e as alergias típicas da época, e a queixa de ouvido tampado se multiplica nos consultórios da cidade nesse período. Em muitos desses casos, tratar o nariz é o que desentope o ouvido.
Por que o cotonete piora tudo
O canal do ouvido se limpa sozinho. A pele dele empurra a cera para fora naturalmente, e o banho já dá conta do que chega à entrada. Ao introduzir o cotonete, a maior parte da cera é empurrada para o fundo, onde se compacta contra o tímpano. O resultado é uma rolha mais dura, mais funda e mais difícil de remover, muitas vezes com o canal já irritado ou machucado pelo atrito. O mesmo vale para grampos, chaves, velas auriculares e objetos improvisados, que podem ferir a pele e até perfurar o tímpano.
O que ajuda e o que evitar
Enquanto você organiza a avaliação, algumas medidas são seguras e podem aliviar:
Boceje, mastigue chiclete ou engula saliva com frequência: esses movimentos abrem a tuba auditiva e ajudam a equilibrar a pressão.
Faça lavagem nasal com soro fisiológico, sobretudo em dias secos, porque o nariz desobstruído facilita o trabalho do ouvido.
Beba água ao longo do dia e umidifique o ambiente, principalmente o quarto durante a noite.
Em voos, mantenha-se acordado na descida e engula com frequência, que é o momento crítico da variação de pressão.
Depois da piscina ou do banho, incline a cabeça para o lado e seque apenas a parte externa com a toalha.
Não introduza cotonete, grampo, chave ou qualquer objeto no canal do ouvido.
Não pingue nada no ouvido por conta própria, nem produto de farmácia nem receita caseira com óleo ou água oxigenada. Se houver perfuração do tímpano, o líquido alcança a orelha média.
Evite a vela auricular, prática sem eficácia comprovada e com risco real de queimadura.
Como é a avaliação no consultório
O otorrinolaringologista começa com a otoscopia, um exame rápido e indolor em que o canal e o tímpano são visualizados com um otoscópio. Só isso já distingue a rolha de cera de uma inflamação, de líquido atrás do tímpano ou de um canal apenas irritado. Quando é cera, a remoção é feita em consultório, com aspiração, instrumentos próprios ou irrigação, conforme o caso, e o alívio costuma ser imediato. Se a suspeita for de disfunção da tuba ou de alteração auditiva, podem ser solicitados exames complementares como audiometria e imitanciometria, que medem a audição e o comportamento do tímpano.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se o ouvido continuar tampado por mais de alguns dias, se houver dor, febre, secreção ou sangramento, se a audição cair de forma perceptível ou súbita, se aparecer zumbido persistente ou tontura junto do entupimento, ou se o incômodo for em criança pequena, que nem sempre sabe descrever o que sente. Perda auditiva que surge de repente, em um ouvido só, merece atendimento rápido, porque o tempo até a avaliação faz diferença no resultado.
No OtorrinoDF, o atendimento acontece em quatro unidades do Distrito Federal, com equipe de especialistas e mais de sessenta convênios. Ouvido tampado quase nunca é grave, mas resolver do jeito certo evita o machucado que vem da tentativa de resolver sozinho.
.png)




Comentários