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Por que o nariz sangra? Entenda as causas e o que fazer na hora

  • há 7 horas
  • 4 min de leitura

Sangramento no nariz assusta quem vê e quem está por perto. O sangue aparece de repente, no meio de uma conversa ou logo depois de assoar o nariz. Em Brasília, essa cena fica bem mais frequente em determinadas épocas do ano, e não é impressão de ninguém. O nome técnico do quadro é epistaxe (sangramento nasal), e na grande maioria das vezes ele tem uma explicação simples e um desfecho tranquilo. Entender por que o nariz sangra ajuda a reagir melhor no momento e a saber quando o episódio merece avaliação com o otorrinolaringologista.


O nariz é uma região cheia de vasos muito finos


A parte da frente do septo, a parede que divide as duas narinas, concentra uma rede de vasos sanguíneos pequenos e superficiais, conhecida como área de Little. Esses vasos ficam logo abaixo de uma mucosa fina e existem por um motivo importante: é essa circulação que aquece e umidifica o ar antes de ele chegar aos pulmões. O preço dessa função é a fragilidade. Basta uma mucosa ressecada, um espirro forte ou uma unha para que um desses vasos se rompa. Por isso a maior parte dos sangramentos nasce na frente do nariz, sai por uma narina só e cede em poucos minutos.



Por que isso acontece tanto em Brasília


A capital passa boa parte do ano com umidade relativa do ar baixa, e na estiagem os índices caem a ponto de deixar qualquer mucosa em alerta. O ar seco retira água da camada que protege o interior do nariz. A mucosa afina, formam-se crostas, a pessoa coça ou assoa com força, e o vaso se abre. Some a isso a poeira das obras, a fumaça das queimadas no fim da seca e o ar condicionado ligado o dia inteiro. É a combinação perfeita para o nariz sangrar sem que exista qualquer doença grave por trás.


As causas mais comuns de sangramento nasal


Na rotina do consultório, os motivos que mais aparecem são estes:


  • Ar seco e ambientes climatizados, que ressecam a mucosa nasal.

  • O hábito de colocar o dedo no nariz para tirar crostas, muito comum entre crianças.

  • Rinite alérgica e sinusite, que deixam a mucosa inflamada e mais vulnerável.

  • Assoar o nariz com força, principalmente durante gripes e resfriados.

  • Desvio de septo, que faz o ar passar de forma turbulenta e resseca um ponto específico.

  • Traumas, de uma bolada no rosto a uma queda.

  • Uso prolongado de descongestionantes nasais por conta própria, que agride a mucosa.

  • Pressão alta sem controle e uso de medicamentos que afinam o sangue.



Nem todo sangramento é igual


Existe um segundo tipo, bem menos frequente, que nasce na parte posterior do nariz. Ele costuma ser mais volumoso, o sangue escorre pela garganta além de sair pela narina, e não cede com as medidas caseiras. Esse quadro aparece mais em adultos e idosos e precisa de atendimento no mesmo dia. Sangramentos que se repetem sempre na mesma narina, ou que vêm junto de manchas roxas pelo corpo e sangramento na gengiva, também merecem investigação: nesses casos o nariz pode estar mostrando algo que vem de outro lugar do organismo.


O que fazer na hora do sangramento


A orientação de inclinar a cabeça para trás é antiga e atrapalha, porque faz o sangue descer pela garganta. O correto é o contrário:


  • Sente-se e incline a cabeça levemente para a frente.

  • Aperte a parte mole do nariz, logo abaixo do osso, com o polegar e o indicador.

  • Mantenha a pressão firme por dez minutos, sem soltar para conferir.

  • Respire pela boca e procure manter a calma, porque o susto eleva a pressão.

  • Se tiver à mão, aplique uma compressa fria sobre o dorso do nariz.

  • Depois que parar, evite assoar, abaixar a cabeça ou fazer esforço físico nas horas seguintes.



Cuidados que ajudam a prevenir no clima daqui


Boa parte dos episódios some quando a mucosa volta a ficar hidratada. Alguns hábitos simples ajudam:


  • Faça higiene nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia, sobretudo nos meses secos.

  • Mantenha uma bacia com água ou um umidificador bem higienizado no quarto durante a noite.

  • Beba água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede.

  • Deixe as unhas das crianças curtas e converse sobre o hábito de mexer no nariz.

  • Evite passar horas com o rosto na saída direta do ar condicionado.

  • Trate a rinite com acompanhamento, em vez de recorrer sempre ao spray comprado na farmácia.

  • Não use nenhum medicamento nasal por conta própria, nem aquele que sobrou de um episódio anterior.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Vale buscar avaliação quando o sangramento não para depois de vinte minutos de compressão bem feita, quando é muito volumoso, quando surge após um trauma no rosto, quando se repete na mesma semana ou quando atinge sempre o mesmo lado. Também é motivo de consulta o episódio acompanhado de tontura, palidez ou falta de ar, e qualquer sangramento em quem usa anticoagulante ou convive com pressão alta.


Na consulta, o exame do nariz com endoscopia nasal (uma câmera fina que mostra o interior das fossas nasais) permite identificar de onde vem o sangramento e verificar se existe desvio de septo, rinite ou outra alteração por trás dos episódios repetidos. Na maior parte das vezes a conclusão é tranquilizadora. No OtorrinoDF, o atendimento com especialistas em nariz acontece nas quatro unidades de Brasília, com mais de 60 convênios.

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