Por que o nariz sangra? Entenda as causas e o que fazer na hora
- há 7 horas
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Sangramento no nariz assusta quem vê e quem está por perto. O sangue aparece de repente, no meio de uma conversa ou logo depois de assoar o nariz. Em Brasília, essa cena fica bem mais frequente em determinadas épocas do ano, e não é impressão de ninguém. O nome técnico do quadro é epistaxe (sangramento nasal), e na grande maioria das vezes ele tem uma explicação simples e um desfecho tranquilo. Entender por que o nariz sangra ajuda a reagir melhor no momento e a saber quando o episódio merece avaliação com o otorrinolaringologista.
O nariz é uma região cheia de vasos muito finos
A parte da frente do septo, a parede que divide as duas narinas, concentra uma rede de vasos sanguíneos pequenos e superficiais, conhecida como área de Little. Esses vasos ficam logo abaixo de uma mucosa fina e existem por um motivo importante: é essa circulação que aquece e umidifica o ar antes de ele chegar aos pulmões. O preço dessa função é a fragilidade. Basta uma mucosa ressecada, um espirro forte ou uma unha para que um desses vasos se rompa. Por isso a maior parte dos sangramentos nasce na frente do nariz, sai por uma narina só e cede em poucos minutos.
Por que isso acontece tanto em Brasília
A capital passa boa parte do ano com umidade relativa do ar baixa, e na estiagem os índices caem a ponto de deixar qualquer mucosa em alerta. O ar seco retira água da camada que protege o interior do nariz. A mucosa afina, formam-se crostas, a pessoa coça ou assoa com força, e o vaso se abre. Some a isso a poeira das obras, a fumaça das queimadas no fim da seca e o ar condicionado ligado o dia inteiro. É a combinação perfeita para o nariz sangrar sem que exista qualquer doença grave por trás.
As causas mais comuns de sangramento nasal
Na rotina do consultório, os motivos que mais aparecem são estes:
Ar seco e ambientes climatizados, que ressecam a mucosa nasal.
O hábito de colocar o dedo no nariz para tirar crostas, muito comum entre crianças.
Rinite alérgica e sinusite, que deixam a mucosa inflamada e mais vulnerável.
Assoar o nariz com força, principalmente durante gripes e resfriados.
Desvio de septo, que faz o ar passar de forma turbulenta e resseca um ponto específico.
Traumas, de uma bolada no rosto a uma queda.
Uso prolongado de descongestionantes nasais por conta própria, que agride a mucosa.
Pressão alta sem controle e uso de medicamentos que afinam o sangue.
Nem todo sangramento é igual
Existe um segundo tipo, bem menos frequente, que nasce na parte posterior do nariz. Ele costuma ser mais volumoso, o sangue escorre pela garganta além de sair pela narina, e não cede com as medidas caseiras. Esse quadro aparece mais em adultos e idosos e precisa de atendimento no mesmo dia. Sangramentos que se repetem sempre na mesma narina, ou que vêm junto de manchas roxas pelo corpo e sangramento na gengiva, também merecem investigação: nesses casos o nariz pode estar mostrando algo que vem de outro lugar do organismo.
O que fazer na hora do sangramento
A orientação de inclinar a cabeça para trás é antiga e atrapalha, porque faz o sangue descer pela garganta. O correto é o contrário:
Sente-se e incline a cabeça levemente para a frente.
Aperte a parte mole do nariz, logo abaixo do osso, com o polegar e o indicador.
Mantenha a pressão firme por dez minutos, sem soltar para conferir.
Respire pela boca e procure manter a calma, porque o susto eleva a pressão.
Se tiver à mão, aplique uma compressa fria sobre o dorso do nariz.
Depois que parar, evite assoar, abaixar a cabeça ou fazer esforço físico nas horas seguintes.
Cuidados que ajudam a prevenir no clima daqui
Boa parte dos episódios some quando a mucosa volta a ficar hidratada. Alguns hábitos simples ajudam:
Faça higiene nasal com soro fisiológico várias vezes ao dia, sobretudo nos meses secos.
Mantenha uma bacia com água ou um umidificador bem higienizado no quarto durante a noite.
Beba água ao longo do dia, mesmo sem sentir sede.
Deixe as unhas das crianças curtas e converse sobre o hábito de mexer no nariz.
Evite passar horas com o rosto na saída direta do ar condicionado.
Trate a rinite com acompanhamento, em vez de recorrer sempre ao spray comprado na farmácia.
Não use nenhum medicamento nasal por conta própria, nem aquele que sobrou de um episódio anterior.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Vale buscar avaliação quando o sangramento não para depois de vinte minutos de compressão bem feita, quando é muito volumoso, quando surge após um trauma no rosto, quando se repete na mesma semana ou quando atinge sempre o mesmo lado. Também é motivo de consulta o episódio acompanhado de tontura, palidez ou falta de ar, e qualquer sangramento em quem usa anticoagulante ou convive com pressão alta.
Na consulta, o exame do nariz com endoscopia nasal (uma câmera fina que mostra o interior das fossas nasais) permite identificar de onde vem o sangramento e verificar se existe desvio de septo, rinite ou outra alteração por trás dos episódios repetidos. Na maior parte das vezes a conclusão é tranquilizadora. No OtorrinoDF, o atendimento com especialistas em nariz acontece nas quatro unidades de Brasília, com mais de 60 convênios.
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