Olhos lacrimejantes: o que pode ser e a relação com o nariz
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Olho lacrimejando o dia inteiro parece coisa pequena, até a lágrima escorrer no meio de uma reunião, embaçar a visão no trânsito e obrigar você a andar com lenço no bolso. O lacrimejamento constante, que os médicos chamam de epífora (excesso de lágrima transbordando), quase nunca é um problema do olho isolado. Ele costuma contar uma história que envolve o nariz, a alergia e o ar que você respira. Em Brasília, com meses de estiagem e umidade baixa, essa queixa aparece bem mais do que se imagina.
Lágrima demais ou drenagem de menos
A lágrima é produzida por glândulas ao redor do olho, espalhada pela pálpebra a cada piscada e escoada por um canal fino que sai do canto interno do olho e desemboca dentro do nariz. Esse caminho se chama via lacrimal, e é por isso que, quando alguém chora, o nariz escorre junto.
Quando o olho lacrimeja sem parar, existem duas explicações possíveis. Ou a produção aumentou, porque algo irrita a superfície do olho, ou a drenagem travou, e a lágrima que era normal transborda por falta de saída. Diferenciar as duas coisas é o primeiro passo da consulta, e muda completamente a conduta.
O ar seco de Brasília irrita, e o olho responde com lágrima
Parece contraditório, mas olho seco é uma das causas mais frequentes de olho lacrimejante. Quando a umidade do ar cai para 20% ou menos, algo comum entre agosto e setembro no Distrito Federal, o filme de lágrima que cobre o olho evapora rápido demais. A superfície fica exposta, avisa o cérebro que está irritada e o corpo responde com uma enxurrada de lágrima aguada, que molha mas não protege. Some a isso o ar-condicionado, a poeira das ruas e a fumaça de queimada, e o ciclo se repete todo dia.
Rinite e alergia, a dupla mais comum
Olho, nariz e seios da face são vizinhos e reagem juntos. Na rinite alérgica, o mesmo ácaro, mofo, pólen ou pelo de animal que faz o nariz coçar e entupir também inflama a conjuntiva (a membrana transparente que cobre o olho). O resultado é o conjunto clássico: coceira nos olhos, vermelhidão, lacrimejamento, espirros em sequência e nariz escorrendo. Quando a mucosa do nariz incha muito, ela ainda comprime a saída da via lacrimal por dentro, e a lágrima que deveria escoar volta para o olho. É por isso que cuidar do nariz costuma melhorar o olho.
Quando a via lacrimal está obstruída
Se o lacrimejamento é de um olho só, contínuo, escorre pelo rosto sem coceira e piora no vento ou no frio, a suspeita passa a ser obstrução do canal lacrimal. Ela pode vir de infecção antiga, trauma no rosto, sinusite de repetição, desvio de septo, pólipos ou do próprio envelhecimento do canal. Em bebês, é comum o canal nascer ainda fechado e abrir sozinho nos primeiros meses. Merecem avaliação rápida a secreção amarelada que sai ao apertar o canto do olho e o caroço dolorido nessa região, sinais de infecção do saco lacrimal.
Nos casos confirmados existe cirurgia para reabrir o caminho da lágrima, feita por dentro do nariz com endoscópio, sem corte na pele do rosto. A indicação depende do exame e do ponto exato do bloqueio, nunca do sintoma isolado.
Outras causas que entram na investigação
Cílio que cresce virado para dentro, pálpebra frouxa, blefarite (inflamação da borda da pálpebra), corpo estranho, lente de contato usada por tempo demais e muitas horas de tela com piscadas raras. Vale um alerta sobre colírio comprado por conta própria, principalmente os que prometem tirar o vermelho na hora: podem aliviar hoje e piorar a irritação com o tempo. O mesmo sintoma tem origens muito diferentes, e isso não se decide no balcão da farmácia.
Cuidados práticos que ajudam no dia a dia
Não coce os olhos. Coçar libera mais substância inflamatória e aumenta o lacrimejamento, além de arranhar a superfície.
Umidifique o quarto na seca, com bacia de água, toalha úmida ou umidificador limpo, e não durma com o ventilador apontado para o rosto.
Reduza a poeira em casa: pano úmido no lugar do espanador, roupa de cama lavada com frequência e atenção ao travesseiro velho.
Faça pausas nas telas. A cada 20 minutos, olhe para longe por 20 segundos e pisque de propósito algumas vezes.
Óculos escuros em dia de vento e poeira funcionam como barreira física simples e eficiente.
Compressa morna sobre as pálpebras fechadas ajuda a soltar a secreção acumulada na borda do olho.
Não pingue nada no olho por indicação de conhecido ou de vídeo na internet, e leve à consulta a lista do que você já usou.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Vale marcar avaliação quando o lacrimejamento passa de três a quatro semanas, atinge só um dos olhos, vem com secreção purulenta, dor, caroço no canto do olho, vermelhidão que não cede ou queda da visão, ou aparece junto de nariz entupido crônico, sinusite de repetição e perda do olfato. Também procure ajuda se o sintoma já atrapalha dirigir, trabalhar ou ler.
Na consulta, o otorrinolaringologista examina o nariz por dentro, avalia a passagem da lágrima e, quando necessário, pede exame de imagem do trajeto do canal, além de encaminhar ao oftalmologista quando a origem está na superfície do olho. O OtorrinoDF tem quatro unidades em Brasília, 33 especialistas e atende mais de 60 convênios. A orientação certa depende de examinar você, não de adivinhar a causa pela descrição.
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