Faringoconjuntivite viral: quando a garganta e os olhos inflamam juntos
Começa com a garganta doendo e, um ou dois dias depois, o olho fica vermelho, lacrimejando e com aquela sensação de areia por dentro. Muita gente acha que pegou duas coisas ao mesmo tempo, ou que a conjuntivite veio do nada. Na maioria das vezes é um quadro só, com nome próprio: faringoconjuntivite viral, uma infecção em que o mesmo vírus inflama a garganta e a parte da frente dos olhos. Reconhecer o conjunto evita tratamento errado e, principalmente, evita que a família inteira pegue.
O que é faringoconjuntivite viral
O nome parece complicado, mas descreve exatamente o que acontece. Faringite é a inflamação da faringe (a parede do fundo da garganta) e conjuntivite é a inflamação da conjuntiva (a membrana transparente que cobre o branco do olho e a parte de dentro da pálpebra). Quando um único vírus provoca as duas ao mesmo tempo, o quadro recebe o nome composto. Os adenovírus são os causadores mais frequentes, e eles têm preferência justamente por esses dois tecidos, que ficam ligados por dentro: o olho se comunica com o nariz pelo canal lacrimal, e o nariz se comunica com a garganta.
Os sintomas que aparecem juntos
O quadro costuma ter um padrão reconhecível. A dor de garganta vem primeiro, às vezes com vermelhidão intensa e dificuldade para engolir. A febre pode subir, especialmente em criança. O olho entra em cena logo depois, em geral de um lado só no começo, passando para o outro em um ou dois dias. A secreção é aguada e clara, diferente da secreção amarelada e espessa que gruda o cílio ao acordar. Somam-se olho vermelho, coceira, incômodo com a luz e a impressão de corpo estranho. Também é comum sentir os gânglios do pescoço e da frente da orelha inchados e doloridos.
O que ajuda a diferenciar de uma amigdalite bacteriana é o conjunto: infecção bacteriana de garganta não dá conjuntivite, não vem com coriza nem tosse, e quase sempre deixa placas de pus nas amígdalas. Já na faringoconjuntivite viral o olho é parte do pacote, e é esse detalhe que muda a leitura do caso.
Por que esse quadro corre tanto em Brasília
Dois fatores locais empurram o número de casos para cima. O primeiro é a estiagem: com a umidade do ar baixa, a mucosa da garganta e do nariz seca e perde a camada de muco que funciona como barreira, e o olho, igualmente seco, fica mais suscetível. O segundo é a convivência em ambiente fechado com ar condicionado, em escritório e em sala de aula, onde o mesmo ar circula entre muitas pessoas o dia inteiro.
A transmissão é por contato, e aí está o ponto que mais pega as famílias. O vírus vai da mão para o olho e para a boca, e sobrevive horas em maçaneta, celular, brinquedo, toalha e borda de piscina. Em creche e escola, um caso vira vários em poucos dias. O período de contágio é longo: dura enquanto houver sintoma e ainda alguns dias depois que o olho desinflamou.
O que se espera da evolução
É um quadro incômodo, mas que na maioria das vezes se resolve pela própria defesa do organismo. A dor de garganta tende a aliviar antes, e o olho leva mais tempo para voltar ao normal, às vezes uma a duas semanas. Como a causa é viral, antibiótico não encurta nada e colírio escolhido por conta própria pode piorar, sobretudo os que contêm corticoide, porque em infecção do olho eles têm risco real de agravar a lesão. Toda a conduta, inclusive a de alívio, precisa sair de avaliação com quem examinou o caso.
Cuidados práticos enquanto passa
Lave as mãos muitas vezes ao dia, com atenção especial depois de tocar o olho ou o rosto.
Não compartilhe toalha, fronha, maquiagem de olho, colírio, copo nem talher, e troque a fronha com frequência.
Limpe o olho com compressa de água fria e gaze limpa, do canto interno para fora, usando uma gaze diferente para cada olho.
Beba água ao longo do dia e deixe uma bacia com água no quarto durante a estiagem, para a mucosa não secar.
Evite lente de contato e maquiagem até o olho estar totalmente recuperado.
Afaste a criança da escola enquanto houver febre e secreção, para não espalhar na turma.
Não use no seu caso o colírio ou o remédio que sobrou de um episódio de outra pessoa.
Prefira alimentos macios e em temperatura amena, que passam sem raspar a garganta inflamada.
Quando procurar avaliação
Vale marcar consulta quando a dor de garganta vem acompanhada de olho vermelho, quando a febre persiste, quando os sintomas passam de uma semana sem melhorar ou quando aparecem placas nas amígdalas. Busque atendimento sem esperar se houver dor forte no olho, queda da visão ou visão embaçada, muita sensibilidade à luz, inchaço importante da pálpebra, dificuldade para respirar ou para engolir líquido. Em criança, atenção para recusa de alimentação, prostração e sinais de desidratação.
No OtorrinoDF, a avaliação examina a garganta e o nariz na própria consulta, identifica se o quadro é viral ou bacteriano e orienta o cuidado dos olhos junto com o do restante das vias respiratórias, encaminhando ao oftalmologista quando o caso pede. São quatro unidades no Distrito Federal, 33 especialistas e atendimento por mais de 60 convênios.
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