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Dor de garganta: o que funciona no tratamento

há 1 hora
4 min de leitura

A dor de garganta é uma das queixas que mais levam gente ao consultório, e também uma das que mais geram automedicação. Ela aparece de repente, atrapalha engolir, falar e dormir, e quase sempre vem acompanhada da mesma pergunta: o que tomar para isso passar logo? A resposta honesta é que o tratamento depende da causa, e que existem medidas simples que aliviam bastante enquanto o quadro se resolve. Em Brasília, com a estiagem e o ar seco de boa parte do ano, essa queixa fica ainda mais frequente.


Por que a garganta dói


A dor vem da inflamação das mucosas que revestem a faringe (o fundo da garganta) e, em alguns casos, das amígdalas. Essa inflamação pode ter origem em uma infecção, em uma irritação por ar seco, poeira ou fumaça, no refluxo do conteúdo do estômago que sobe até a garganta, ou no esforço de voz de quem fala o dia inteiro no trabalho. Causas diferentes, sintoma parecido, condutas bem distintas.


Por isso, a pergunta útil não é apenas o que tomar, e sim o que está inflamando a garganta. Um quadro de três dias com coriza e espirros não se parece com uma dor forte, febre alta e placas nas amígdalas, mesmo que os dois doam ao engolir.



Viral ou bacteriana: a diferença que muda a conduta


A maioria das dores de garganta é viral e vem junto de outros sinais de resfriado: nariz escorrendo, tosse, espirros, rouquidão, febre baixa ou ausente. Esses quadros melhoram sozinhos em poucos dias, e o tratamento é voltado ao alívio dos sintomas.


Já a infecção bacteriana, especialmente pelo estreptococo, costuma se apresentar de outro jeito: dor intensa que começa rápido, febre mais alta, gânglios doloridos no pescoço, placas esbranquiçadas nas amígdalas e pouca ou nenhuma tosse. Esse é o cenário em que a avaliação médica faz diferença, porque o tratamento é outro. O exame da garganta e, quando indicado, um teste rápido ajudam a separar os dois.


O ar seco de Brasília entra na conta


Entre maio e setembro, a umidade relativa do ar em Brasília despenca e passa dias em níveis muito baixos. O ar seco resseca a mucosa da garganta e do nariz, reduz a proteção natural dessas vias e deixa a região mais vulnerável a irritações e a infecções. Muita gente acorda com a garganta arranhando porque dormiu de boca aberta, com o nariz entupido, em um quarto seco e com ventilador ligado a noite inteira. Some a isso a poeira da estiagem e a fumaça das queimadas e você tem o ciclo que se repete todo ano por aqui.


O que ajuda nos primeiros dias


Enquanto o quadro se define, algumas medidas simples reduzem o desconforto e não atrapalham o diagnóstico:


  • Beber água ao longo do dia, em pequenos goles, para manter a mucosa hidratada.

  • Usar umidificador ou deixar uma bacia com água no quarto durante a noite, principalmente na estiagem.

  • Fazer lavagem nasal com soro fisiológico, porque nariz desobstruído evita dormir de boca aberta.

  • Preferir alimentos mornos e macios, e evitar bebidas muito geladas ou muito quentes se elas aumentam a dor.

  • Evitar fumaça de cigarro, incenso e ambientes com muita poeira.

  • Poupar a voz, sem falar alto e sem cochichar, porque o cochicho também força as pregas vocais.

  • Repousar e acompanhar a evolução, anotando a febre e há quantos dias os sintomas começaram.



Por que não se automedicar


Antibiótico não trata vírus, e usá-lo sem indicação não encurta um resfriado. O que ele faz é expor a pessoa a efeitos adversos e contribuir para a resistência bacteriana, um problema real que torna infecções futuras mais difíceis de tratar. Também é comum o antibiótico guardado em casa ser usado em dose e tempo errados, o que mascara o quadro sem resolvê-lo.


Pastilhas, sprays e anti-inflamatórios comprados por conta própria têm o mesmo problema: aliviam o sintoma e podem esconder a evolução de um quadro que precisava ser examinado. Não existe um remédio único para dor de garganta, e a escolha depende da causa, da idade e do que a pessoa já usa. Essa conta quem faz é o médico, na consulta.


Quando a dor deixa de ser passageira


Dor de garganta que volta várias vezes ao ano, ou que dura semanas sem melhora, merece investigação. Pode estar ligada a amigdalites de repetição, a refluxo, a alergia respiratória mal controlada, à respiração pela boca ou ao uso intenso da voz. Nesses casos, tratar apenas a crise não resolve, porque o problema volta na próxima. A avaliação procura a causa de fundo e, dependendo do achado, a conduta vai do controle da alergia ao acompanhamento com fonoaudiologia ou, em situações selecionadas, à amigdalectomia (retirada das amígdalas).


Quando procurar o otorrinolaringologista


Procure avaliação se a dor for intensa desde o início, se houver febre alta, placas nas amígdalas, gânglios doloridos no pescoço, dificuldade para engolir a própria saliva, voz abafada ou inchaço no pescoço, e também se os sintomas passarem de uma semana sem melhorar. Dificuldade para respirar, para abrir a boca ou para engolir líquidos pede atendimento no mesmo dia.


No OtorrinoDF, a consulta inclui o exame da garganta e, quando necessário, a nasofibroscopia ou a videolaringoscopia para ver a região de perto. São 33 especialistas em 4 unidades de Brasília e mais de 60 convênios atendidos. Se a sua garganta dói com frequência, agende uma avaliação em vez de tentar mais um remédio por conta própria.

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