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Exame BERA: o que é, para que serve e como é feito

há 12 minutos
4 min de leitura

Quando o pediatra ou o otorrinolaringologista pede um exame chamado BERA, é comum a família ficar com dúvidas: o que é, se dói, se a criança precisa dormir e o que o resultado vai mostrar. O BERA é um exame de audição que não depende da resposta da pessoa. Por isso ele é tão usado em bebês, crianças pequenas e em quem não consegue colaborar com os testes tradicionais.


O que é o exame BERA


BERA é a sigla em inglês para audiometria de resposta evocada do tronco encefálico. Em português, ele também aparece como PEATE (potencial evocado auditivo de tronco encefálico). Na prática, o aparelho envia sons pelo fone de ouvido e pequenos eletrodos colados na pele registram a resposta elétrica que o nervo auditivo e o cérebro produzem ao ouvir esses sons.


Como a resposta é captada pelo próprio corpo, a pessoa não precisa levantar a mão nem dizer que escutou. Essa é a diferença para a audiometria comum, que depende da participação ativa do paciente.



Para que serve o BERA


O exame ajuda a responder duas perguntas principais: se a pessoa escuta e se o caminho do som, do ouvido até o cérebro, está funcionando como deveria. Ele costuma ser indicado em situações como:


  • Bebês que não passaram no teste da orelhinha ou que têm fatores de risco para perda auditiva, como prematuridade ou internação em UTI neonatal.

  • Crianças com atraso na fala, para confirmar se a audição está preservada.

  • Crianças pequenas ou pessoas com deficiência que não conseguem fazer a audiometria tradicional.

  • Adultos com perda auditiva em um ouvido só, zumbido de um lado ou suspeita de alteração no nervo auditivo.



Muitas famílias perguntam se o BERA diagnostica autismo. Não diagnostica. O exame avalia a audição. Ele entra na investigação de crianças com atraso de fala ou dificuldade de comunicação porque é preciso saber se a criança ouve bem antes de pensar em outras causas. O diagnóstico de autismo é feito por outros profissionais, com outra avaliação.


Como o exame é feito


O BERA é rápido, não dói e não usa agulhas. A pele é limpa em alguns pontos da cabeça, geralmente na testa e atrás das orelhas, e ali são colados os eletrodos adesivos. Depois, a pessoa recebe um fone e ouve uma sequência de cliques ou sons. O computador registra as ondas de resposta, que são analisadas pelo profissional.


Para que o registro saia limpo, a pessoa precisa ficar bem quieta e relaxada. Em adultos e crianças maiores, basta deitar e descansar, e muita gente cochila durante o exame. Em bebês, o ideal é que estejam dormindo em sono natural.


BERA infantil e BERA com sedação


Nos bebês pequenos, o exame costuma ser feito durante o sono natural, logo depois da mamada. Em crianças um pouco maiores, que se mexem bastante e não dormem com facilidade fora de casa, pode ser necessário fazer o BERA com sedação. Nesse caso, o procedimento é feito com acompanhamento médico, e a equipe orienta a família sobre jejum e cuidados antes e depois. A necessidade de sedação é avaliada caso a caso.


Qual a diferença entre BERA e P300


Os dois exames registram respostas elétricas do cérebro aos sons, mas olham para coisas diferentes. O BERA avalia a parte inicial do caminho auditivo, ou seja, se o som está chegando. O P300 é um potencial evocado de longa latência: ele avalia uma etapa mais tardia, ligada à atenção e à forma como o cérebro percebe e diferencia os sons. Por isso o P300 costuma ser pedido na investigação de dificuldades de processamento auditivo e de aprendizagem. Um exame não substitui o outro, e quem define qual faz sentido é o médico, a partir da queixa.


Cuidados práticos para o dia do exame


  • Leve o pedido médico e exames de audição anteriores, se houver.

  • Lave o cabelo na véspera e evite cremes, óleos ou gel no couro cabeludo e no rosto, para os eletrodos aderirem bem.

  • Para bebês, tente manter a criança acordada no caminho e deixe a mamada para pouco antes do exame, para que ela durma com facilidade.

  • Leve uma manta, a chupeta ou o objeto de conforto da criança.

  • Se o exame for com sedação, siga à risca as orientações de jejum passadas pela equipe.

  • Em Brasília, nos meses de estiagem, o ar seco favorece rinite e congestão. Se a criança estiver resfriada ou com o nariz muito entupido, avise a clínica, porque isso pode atrapalhar o sono e o resultado.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Vale procurar avaliação se o bebê não passou no teste da orelhinha, se não se assusta com barulhos altos, se a criança demora a falar ou parece não responder quando é chamada. Em adultos, perda de audição de um lado, zumbido persistente em um ouvido só ou tontura junto com alteração auditiva também pedem consulta. O otorrinolaringologista examina o ouvido, entende o histórico e define quais exames fazem sentido, que podem incluir o BERA.


No OtorrinoDF, a investigação da audição de bebês, crianças e adultos é feita por uma equipe de 33 especialistas em quatro unidades em Brasília, com atendimento por mais de 60 convênios. Na hora de agendar, a equipe informa em qual unidade cada exame é realizado e como se preparar.

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