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Barulho de bolhas estourando no ouvido: o que pode ser

há 11 minutos
4 min de leitura

Engolir e ouvir um estalo, bocejar e sentir algo parecido com bolhas estourando dentro do ouvido, ou perceber um crepitar que vai e volta ao longo do dia. Essa sensação é mais comum do que parece e, na maioria das vezes, tem a ver com a forma como o ouvido equilibra a pressão do ar. Em alguns casos, porém, ela indica que há secreção, inflamação ou outra alteração que merece avaliação. Entenda as causas mais frequentes e quando vale procurar o otorrinolaringologista.


A tuba auditiva, a válvula que equilibra a pressão


Atrás do tímpano existe uma pequena cavidade cheia de ar, o ouvido médio. Ela se comunica com a parte de trás do nariz por um canal chamado tuba auditiva (antigamente conhecida como trompa de Eustáquio). Esse canal fica fechado na maior parte do tempo e se abre rapidamente quando engolimos, bocejamos ou mastigamos, deixando o ar entrar e sair para igualar a pressão dos dois lados do tímpano.


Cada vez que a tuba se abre, pode surgir um pequeno estalo. Quando ela está inchada ou com muco, essa abertura fica mais difícil e o som muda: vira um crepitar, um borbulhar, a sensação de bolhas estourando. Muitas vezes vem junto com ouvido abafado ou sensação de pressão.



Gripe, rinite e o ar seco de Brasília


A causa mais comum desse borbulhar é a inflamação do nariz. Gripes, resfriados, sinusites e rinites deixam a mucosa inchada e produzem secreção, e a tuba auditiva, que começa justamente atrás do nariz, sofre junto. Por isso é frequente o barulho aparecer durante ou logo depois de um resfriado e ir sumindo à medida que o nariz melhora.


Em Brasília, a longa estiagem, a umidade muito baixa e a poeira irritam a mucosa nasal e pioram quem já tem rinite. Quando as chuvas voltam, como agora em novembro, é a vez dos fungos e ácaros nos ambientes fechados. Nas duas situações, o nariz congestionado favorece os estalos no ouvido.


Mudança de altitude e de pressão


Viagens de avião, descer a serra de carro, mergulho e até elevadores rápidos mudam a pressão do ar em pouco tempo. A tuba precisa trabalhar mais para acompanhar, e os estalos ficam evidentes. Quem mora em Brasília, a cerca de 1.100 metros de altitude, costuma notar isso ao viajar para o litoral e na volta para casa. Se a pessoa estiver resfriada, o desconforto tende a ser maior e pode durar alguns dias.


Secreção atrás do tímpano


Às vezes o borbulhar é sinal de que há líquido no ouvido médio, situação chamada de otite média com efusão (acúmulo de secreção atrás do tímpano, geralmente sem dor forte). Ela é muito comum em crianças, especialmente depois de resfriados ou quando a adenoide (tecido que fica no fundo do nariz) está aumentada, mas também acontece em adultos. Além do barulho, a pessoa pode ouvir menos, sentir o ouvido cheio e, na criança, isso aparece como aumentar o volume da TV ou não responder quando é chamada.


Outras causas possíveis


Nem todo estalo vem da tuba auditiva. Cera acumulada ou água que ficou no canal depois do banho ou da piscina podem se mexer e produzir ruídos. Problemas na articulação temporomandibular (a articulação da mandíbula, logo à frente do ouvido) geram estalos ao mastigar ou abrir a boca. Existe ainda uma condição menos frequente em que pequenos músculos dentro do ouvido se contraem de forma involuntária, causando cliques rítmicos. Também há quem descreva como bolhas um tipo de zumbido. Separar essas causas exige exame, e é por isso que o mesmo sintoma pode ter caminhos diferentes.


Cuidados práticos no dia a dia


  • Não use cotonete, grampo ou qualquer objeto dentro do ouvido: isso empurra a cera e pode ferir o canal ou o tímpano.

  • Não pingue gotas, óleos ou remédios no ouvido por conta própria, porque se houver perfuração do tímpano eles podem causar dano.

  • Assoe o nariz com delicadeza, uma narina de cada vez, sem força.

  • Em viagens de avião, engolir, bocejar ou mascar algo durante a descida ajuda a tuba a se abrir naturalmente.

  • Se estiver gripado e puder adiar um voo ou mergulho, considere fazê-lo.

  • Na seca, beba água ao longo do dia e mantenha o quarto ventilado e limpo, com menos poeira acumulada.

  • Evite descongestionantes nasais sem orientação: o uso frequente pode piorar a obstrução do nariz.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Um estalo de vez em quando, que some sozinho, não costuma ser motivo de preocupação. Vale marcar uma avaliação se o barulho durar mais de duas semanas, se vier com dor, febre, secreção saindo pelo ouvido, perda de audição, zumbido persistente ou tontura, ou se aparecer só de um lado sem um motivo claro, como gripe ou viagem. Em crianças com resfriados repetidos que parecem ouvir menos, a consulta também é importante.


Na consulta, o otorrino examina o canal e o tímpano com otoscopia (exame com uma pequena lanterna de aumento), avalia o nariz e, quando necessário, pede exames como audiometria e imitanciometria (teste que mede como o tímpano e o ouvido médio respondem à pressão). Com isso é possível saber de onde vem o barulho e indicar o cuidado adequado. No OtorrinoDF, essa avaliação está disponível nas quatro unidades em Brasília, com atendimento por mais de 60 convênios.

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