Corrida em alta, umidade em baixa: cuidados para treinar no calor e no tempo seco
Por Dr. José Stênio Ponte, otorrinolaringologista e sócio fundador do Grupo OtorrinoDF · CRM-DF 17362 · RQE 8843
Brasília vive dias de calor forte e umidade baixa, e quem corre sente no nariz, na garganta e no rendimento. O otorrinolaringologista Dr. José Stênio Ponte responde a duas dúvidas comuns de quem treina e participa de provas nessa época.
Brasília enfrenta altas temperaturas e baixa umidade. Quais cuidados o corredor deve tomar?
Todo corredor precisa de planejamento, e esse planejamento vai além do pace, da frequência cardíaca, do relógio e do tênis. Ele começa com sono adequado, boa alimentação, hidratação e atenção à saúde respiratória.
Em Brasília, também precisamos olhar para o ambiente. Antes de sair, vale conferir a previsão de temperatura, a umidade e a qualidade do ar, principalmente quando há fumaça de queimadas. Isso ajuda a escolher o horário, o percurso e até a intensidade do treino.
O nariz filtra, aquece e umidifica o ar que respiramos. No tempo muito seco, porém, as mucosas podem ficar ressecadas e irritadas, favorecendo desconforto e sangramentos nasais. Em pessoas suscetíveis, o ar seco também pode desencadear tosse, chiado e broncoespasmo.
Na prática, a orientação é priorizar horários mais frescos, geralmente no início da manhã, escolher trajetos com sombra e acesso à água e ajustar o ritmo às condições do dia. A hidratação deve acompanhar as necessidades individuais, sem exageros. Em treinos prolongados e com muita transpiração, a reposição de eletrólitos pode fazer parte desse planejamento.
Se as condições estiverem muito desfavoráveis, reduzir, adiar ou transferir o treino para um ambiente interno é uma decisão prudente. Estar bem preparado não torna ninguém imune aos efeitos do calor.
Existe alguma orientação sobre como respirar durante uma prova com calor ou baixa umidade?
A principal orientação é permitir que a respiração acompanhe a intensidade do esforço, sem forçar uma respiração exclusivamente pelo nariz.
Em ritmos leves, muitas pessoas conseguem respirar predominantemente pelo nariz, aproveitando suas funções de filtração, aquecimento e umidificação. Conforme o esforço aumenta, é natural passar a respirar também pela boca para atender à maior necessidade de ventilação. Isso não representa, por si só, um erro de técnica.
Não existe uma frequência cardíaca única que determine essa mudança. Ela varia conforme o condicionamento, a intensidade do exercício e as características de cada pessoa.
Ao respirar pela boca, parte do condicionamento do ar feito pelo nariz é reduzida. Por isso, quem tem asma, rinite ou obstrução nasal precisa manter essas condições bem acompanhadas. Tosse persistente, chiado ou falta de ar desproporcional ao esforço merecem avaliação.
Durante a prova, nenhuma técnica respiratória compensa calor excessivo ou condições ambientais inadequadas. O atleta precisa ajustar o ritmo, respeitar seu planejamento de hidratação e reconhecer os sinais de alerta. Tontura, fraqueza intensa ou náusea exigem interromper o esforço e procurar assistência; confusão mental ou desmaio são sinais de emergência.
O planejamento precisa considerar tanto o desempenho quanto as condições em que o corpo vai trabalhar.
Leia também
Corrida, respiração e sono: o que todo corredor precisa saber, com os sinais de que o nariz ou o sono estão atrapalhando o seu rendimento.
Treina no calor e sente o nariz ou a respiração pesarem? A equipe do Grupo OtorrinoDF pode avaliar a sua respiração e indicar o melhor caminho. Agende sua consulta pelo WhatsApp (61) 3542-2803, agendamentos 24 horas, de domingo a domingo. Veja os endereços e horários de cada unidade.
Dr. José Stênio Ponte, otorrinolaringologista e sócio fundador do Grupo OtorrinoDF · @steniopontedias · CRM-DF 17362 · CRM-SP 127847 · CRM-GO 16664 · CRM-CE 9559 · RQE 8843
Conteúdo informativo. Não substitui a avaliação médica individual.
.png)




Comentários