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Como tirar água do ouvido quando não quer sair

há 1 dia
4 min de leitura

Depois de um mergulho na piscina, de um banho demorado ou de uma tarde no Lago Paranoá, é comum sentir o ouvido abafado, como se houvesse água presa lá dentro. Na maioria das vezes, essa sensação passa sozinha em poucos minutos ou horas. Mas quando a água parece não querer sair, surgem a dúvida e a tentação de resolver com cotonete, grampo ou qualquer objeto à mão. Neste texto, explicamos por que isso acontece, o que é seguro fazer em casa e quando vale a pena procurar o otorrinolaringologista.


Por que a água fica presa no ouvido


O canal auditivo externo, o tubo que vai da orelha até o tímpano, não é reto: ele faz uma pequena curva. Além disso, é revestido por cera (cerume), uma substância natural que protege a pele e repele a água. Quando há excesso de cera, canal mais estreito ou alguma irritação na pele, a água pode ficar retida atrás desse obstáculo e criar a sensação de ouvido tampado.


Em geral, a própria gravidade e os movimentos da mandíbula, como mastigar e bocejar, ajudam a água a escorrer. O problema aparece quando a umidade permanece por muito tempo, porque a pele do canal fica amolecida e mais vulnerável a infecções.



O que é seguro tentar em casa


Algumas medidas simples costumam ser suficientes e não oferecem risco quando feitas com delicadeza:


  • Incline a cabeça para o lado do ouvido afetado e puxe levemente a orelha para cima e para trás. Isso ajuda a alinhar o canal e facilita a saída da água.

  • Deite de lado, com o ouvido tampado virado para baixo, apoiado em uma toalha, por alguns minutos.

  • Faça movimentos de mastigar ou bocejar com a cabeça inclinada. A movimentação da mandíbula mexe nas paredes do canal.

  • Seque apenas a parte de fora da orelha com a ponta de uma toalha macia, sem introduzir nada no canal.

  • Use o secador de cabelo na temperatura mais baixa e na velocidade mínima, a cerca de 30 centímetros da orelha, por poucos segundos. Nunca com ar quente perto da pele.



O que não fazer


A vontade de resolver logo leva a atitudes que costumam piorar a situação. Cotonetes, grampos, pontas de toalha torcidas e os dedos empurram a cera e a água ainda mais para dentro, podem arranhar a pele fina do canal e, em casos mais sérios, até perfurar o tímpano. Também não é indicado pingar gotas, óleos ou receitas caseiras por conta própria: se houver uma lesão ou perfuração que você não consegue ver, qualquer líquido pode causar dano. Velas de ouvido (cones de cera acesos na orelha) não têm comprovação de eficácia e podem provocar queimaduras.


Quando a água vira otite externa


Se a umidade fica presa por muito tempo, bactérias e fungos encontram ambiente favorável e pode surgir a otite externa, conhecida popularmente como ouvido de nadador. É uma inflamação da pele do canal auditivo, diferente da otite média, que acontece atrás do tímpano.


Os sinais mais comuns são coceira dentro do ouvido, dor que piora ao tocar ou puxar a orelha, sensação de ouvido cheio, secreção e diminuição da audição. Nesse ponto, já não se trata apenas de água presa, e o tratamento precisa ser orientado por um médico, que vai examinar o canal e indicar o cuidado adequado para o seu caso.


O clima de Brasília também conta


Pode parecer contraditório, mas o tempo seco do Distrito Federal também tem relação com o problema. Na estiagem, a pele do canal auditivo tende a ficar mais ressecada e sensível, com pequenas fissuras. Ao mesmo tempo, é justamente a época em que piscinas, clubes e banhos mais longos ficam mais frequentes. Pele irritada somada a água retida é uma combinação que facilita a inflamação. Quem nada com regularidade ou tem histórico de otites deve ficar mais atento nesses meses.


Como prevenir


Algumas atitudes reduzem bastante a chance de a água ficar presa:


  • Depois de nadar ou tomar banho, incline a cabeça para cada lado para deixar a água escorrer.

  • Seque bem a parte externa das orelhas, sem colocar nada dentro do canal.

  • Se você costuma ter o problema, converse com o otorrinolaringologista sobre o uso de protetores auriculares para natação.

  • Evite limpar o ouvido por dentro. A cera tem função de proteção e, na maioria das pessoas, sai sozinha.

  • Se você tem tubo de ventilação (tubinho no tímpano) ou já teve perfuração, siga as orientações específicas do seu médico antes de entrar na água.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Procure avaliação se a sensação de água no ouvido durar mais de um ou dois dias, se houver dor, coceira intensa, secreção, febre, zumbido, tontura ou piora da audição. Também vale consultar se o problema se repete com frequência, porque pode indicar excesso de cera, canal estreito ou alguma condição que precisa de cuidado. O otorrinolaringologista examina o ouvido com instrumentos próprios e, quando necessário, faz a limpeza do canal com segurança, algo que não deve ser feito em casa.


No OtorrinoDF, você encontra especialistas em ouvido nas quatro unidades em Brasília. Se a água não quer sair ou o ouvido continua incomodando, agende uma avaliação.

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