Causas do ronco: o que faz a gente roncar durante o sono
O ronco costuma virar piada em família, mas para quem divide o quarto ele pode tirar o sono, e para quem ronca pode ser um sinal de que o ar não está passando direito durante a noite. Entender o que faz a gente roncar é o primeiro passo para saber se o problema é só um incômodo ou se merece uma avaliação. Na maioria das vezes existe uma causa identificável, e muitas delas estão no nariz e na garganta.
Como o ronco acontece
Durante o sono, os músculos da garganta relaxam. Quando o espaço por onde o ar passa fica mais estreito, o fluxo de ar faz vibrar as estruturas moles da região, como o palato mole (o céu da boca na parte de trás), a úvula (a "campainha") e a base da língua. Essa vibração é o som do ronco. Quanto mais estreita a passagem, maior a turbulência do ar e mais alto o barulho.
Por isso, quase tudo que diminui o espaço do nariz até a garganta pode provocar ou piorar o ronco.
Nariz entupido e respiração pela boca
Quem não consegue respirar bem pelo nariz acaba dormindo de boca aberta. Nessa posição, a mandíbula cai um pouco para trás, a língua acompanha e a garganta fica mais apertada. Rinite alérgica, desvio de septo (a parede que divide o nariz ao meio torta), aumento dos cornetos (estruturas internas do nariz que aquecem e umidificam o ar) e pólipos nasais estão entre as causas mais comuns de nariz obstruído.
Em Brasília, o tempo seco da estiagem pesa bastante. A baixa umidade resseca a mucosa do nariz, aumenta a irritação e favorece crises de rinite. Poeira e fumaça de queimadas, comuns nessa época, também inflamam as vias respiratórias. Muita gente percebe que ronca mais justamente entre julho e outubro.
Amígdalas, adenoide e a anatomia da garganta
Amígdalas grandes ocupam espaço na garganta e são uma causa frequente de ronco, principalmente em crianças. A adenoide, um tecido parecido que fica atrás do nariz, quando aumentada também bloqueia a passagem do ar. Em adultos, um palato mole mais baixo, uma úvula alongada, uma língua volumosa ou o queixo mais retraído deixam a via aérea naturalmente mais estreita.
Criança que ronca com frequência, dorme de boca aberta e acorda cansada merece atenção, porque o sono de má qualidade pode afetar o rendimento na escola, o comportamento e o crescimento.
Peso, idade, álcool e posição de dormir
Alguns fatores do dia a dia aumentam a chance de roncar:
Ganho de peso: o acúmulo de gordura no pescoço comprime a via aérea.
Idade: com o tempo, os músculos da garganta perdem tônus e relaxam mais durante o sono.
Bebida alcoólica à noite: o álcool relaxa ainda mais a musculatura da garganta.
Remédios que dão sono e calmantes, que têm efeito parecido no relaxamento muscular.
Dormir de barriga para cima: a língua e o palato tendem a cair para trás.
Cigarro: irrita e incha a mucosa do nariz e da garganta.
Cansaço acumulado e noites mal dormidas, que deixam o sono mais profundo e o relaxamento maior.
Quando o ronco pode ser apneia do sono
Nem todo ronco é perigoso, mas ele pode ser o sinal mais visível da apneia obstrutiva do sono. Na apneia, a garganta não só estreita: ela chega a fechar por alguns segundos, a respiração para e o cérebro desperta brevemente para retomar o fôlego, muitas vezes sem que a pessoa perceba. Isso pode se repetir dezenas de vezes por hora.
Pausas na respiração observadas por quem dorme junto, engasgos noturnos, sono agitado, vontade de urinar várias vezes à noite, dor de cabeça ao acordar e sonolência durante o dia são sinais de alerta. A apneia sem acompanhamento está associada a pressão alta, problemas cardíacos e mais risco de acidentes por sonolência ao volante.
Cuidados práticos que ajudam
Enquanto a causa não é avaliada, alguns hábitos costumam diminuir o ronco:
Dormir de lado, e não de barriga para cima.
Evitar bebida alcoólica nas horas antes de deitar.
Manter um peso saudável e uma rotina de sono regular.
Cuidar da higiene nasal e manter o quarto arejado e sem poeira, o que faz diferença no período seco de Brasília.
Beber água ao longo do dia para não ressecar as vias respiratórias.
Não usar descongestionante nasal por conta própria: o uso repetido pode piorar a obstrução, o chamado efeito rebote.
Desconfiar de aparelhos e soluções milagrosas vendidas na internet sem avaliação.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Vale agendar uma consulta se o ronco é frequente e alto, se alguém já notou pausas na sua respiração durante o sono, se você acorda cansado mesmo dormindo várias horas ou se tem nariz entupido com frequência. No caso das crianças, ronco na maioria das noites já é motivo para avaliação.
O otorrinolaringologista examina o nariz e a garganta, muitas vezes com uma videoendoscopia (exame com uma câmera fina que mostra o interior das vias aéreas), e pode pedir a polissonografia (exame que registra o sono durante a noite) para saber se há apneia. Na OtorrinoDF, essa avaliação é feita em quatro unidades em Brasília, com mais de 60 convênios, e o tratamento é indicado de acordo com a causa encontrada em cada paciente.
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