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VPPB: a vertigem de virar na cama e como é o tratamento

há 10 horas
4 min de leitura

Você vira na cama para o lado, ou levanta a cabeça para pegar algo na prateleira de cima, e o quarto parece girar por alguns segundos. Passa rápido, mas assusta, e volta no movimento seguinte. Essa cena tem nome: VPPB, sigla de vertigem posicional paroxística benigna, a causa mais comum de vertigem em adultos. Muita gente convive com ela por meses chamando de labirintite, quando o problema e o caminho do cuidado são bem diferentes.


O que acontece dentro do ouvido


Dentro do ouvido interno existe um sistema que informa ao cérebro a posição da cabeça. Parte dele tem pequenos cristais de carbonato de cálcio, os otólitos, que ficam numa região própria. Na VPPB, alguns desses cristais se soltam e caem em um dos canais do labirinto, onde não deveriam estar. Quando você muda de posição, eles se movem junto com o líquido do canal e disparam um sinal falso de movimento. O cérebro recebe uma informação que os olhos e o corpo não confirmam, e vem a sensação de giro. O nome assusta, mas o termo benigna está ali de propósito: não é sinal de doença grave do cérebro.



Como reconhecer: o detalhe está no gatilho


A marca da VPPB é a relação com o movimento. A crise aparece ao virar na cama, deitar, levantar, olhar para cima ou abaixar para amarrar o sapato. Dura segundos, raramente mais de um minuto, e vai embora se você fica parado. Pode vir acompanhada de náusea e de uma sensação de insegurança que dura mais tempo que a vertigem em si. O que ela não costuma causar é perda de audição, zumbido novo, dor de cabeça intensa, alteração na fala, fraqueza em um lado do corpo ou visão dupla. Esses últimos sinais apontam para outras causas e pedem avaliação imediata.


Por que confundir com labirintite atrasa a solução


Na linguagem do dia a dia, toda tontura virou labirintite. Só que o quadro inflamatório do labirinto costuma dar uma vertigem contínua, que dura horas ou dias e não depende de você mudar de posição. A VPPB é o oposto: crises curtíssimas, sempre amarradas a um movimento. A diferença importa porque o caminho é outro. Quem trata VPPB como quadro inflamatório passa semanas sem resolver a origem, que é mecânica.


Como é a avaliação e o tratamento


No consultório, o otorrinolaringologista ouve a história e faz manobras de posicionamento guiadas, como a de Dix-Hallpike, observando o movimento involuntário dos olhos que aparece durante a crise provocada de propósito. É esse movimento que mostra qual canal do labirinto está envolvido e para qual lado. Com essa informação, o tratamento é também mecânico: manobras de reposicionamento, a mais conhecida chamada de Epley, que conduzem os cristais de volta ao lugar onde não causam sintoma. São movimentos de cabeça feitos em sequência, em poucos minutos, por profissional treinado. Muita gente melhora de forma importante já nas primeiras sessões, e parte dos casos precisa de repetição ou de nova avaliação, inclusive porque a VPPB pode voltar meses ou anos depois.


O vídeo da internet e o risco de tentar sozinho


As manobras existem na internet e parecem simples. O problema é que a manobra certa depende de qual canal está afetado e de qual lado, e a manobra errada pode piorar o sintoma ou mover o cristal para um canal mais difícil. Além disso, há situações em que a vertigem de posição não é VPPB, e tratar por conta própria significa deixar passar uma causa que precisava de outro cuidado. O mesmo vale para os remédios de tontura: usados sozinhos e por tempo longo, mascaram o sintoma, atrapalham o exame que faz o diagnóstico e podem até retardar a adaptação natural do equilíbrio. Nada disso se decide sem avaliação.


Cuidados práticos enquanto você espera a consulta


  • Levante da cama em duas etapas: senta, espera alguns segundos, depois fica de pé.

  • Troque de posição devagar, principalmente ao virar na cama e ao olhar para cima.

  • Durma com a cabeceira um pouco elevada nos dias de crise, com um travesseiro a mais.

  • Deixe uma luz acesa no caminho até o banheiro: no escuro o corpo perde a referência visual e o risco de queda sobe.

  • Evite dirigir, subir escada e trabalhar em altura enquanto as crises estiverem aparecendo.

  • Beba água e mantenha as refeições regulares, já que desidratação e jejum longo pioram a sensação de instabilidade, algo frequente na seca de Brasília.

  • Anote em que movimento a vertigem aparece, quanto tempo dura e de que lado é pior: essa informação acelera o diagnóstico.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Vale marcar avaliação sempre que a vertigem se repete em movimentos específicos, mesmo que cada episódio dure poucos segundos, e principalmente se já houve queda ou medo de cair. Procure atendimento sem esperar se a tontura vier junto com perda de audição súbita, dor de cabeça forte e diferente do habitual, alteração na fala, visão dupla, fraqueza ou formigamento em um lado do corpo, porque esses sinais apontam para fora do ouvido. Pessoas acima de sessenta anos, quem já teve trauma na cabeça e quem sente instabilidade constante merecem atenção especial, pelo risco de queda. No OtorrinoDF, com quatro unidades no Distrito Federal e mais de trinta especialistas, a avaliação da vertigem inclui o exame do ouvido, as manobras diagnósticas e, quando indicado, os exames de equilíbrio, para que o tratamento seja escolhido a partir do seu caso.

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