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Otite externa: por que ela aparece e como é o tratamento

há 11 minutos
4 min de leitura

Tem um tipo de dor de ouvido que não se parece com nenhuma outra: ela piora quando você puxa a orelha, deita daquele lado ou mastiga. Em geral apareceu depois de um dia de piscina, de um banho demorado ou de uma limpeza com cotonete. Esse conjunto costuma apontar para otite externa, a inflamação do canal do ouvido, que é a parte entre a orelha e o tímpano.


O que é otite externa e por que ela dói tanto


O canal do ouvido é um tubo estreito, de pouco mais de dois centímetros, revestido por uma pele fina e colada ao osso. Quando essa pele inflama, o inchaço não tem para onde ir, e daí vem a dor desproporcional ao tamanho do problema. É diferente da otite média, que acontece atrás do tímpano e costuma vir depois de um resfriado. A otite externa fica antes do tímpano e tem outras causas, outro exame e outra conduta, e é por isso que o diagnóstico correto muda tudo.



A água é o gatilho mais comum


O canal tem uma proteção natural: a cera, levemente ácida, que repele água. Quando o ouvido fica úmido por muito tempo, essa barreira se dilui, o pH muda e o ambiente passa a favorecer bactérias e fungos que já moram ali em paz. Por isso a otite externa é conhecida como ouvido de nadador. Em Brasília ela tem duas temporadas: o período de piscina e clube e os meses de chuva, quando calor e umidade aumentam. E não é preciso nadar para ter: banho quente e demorado, com a cabeça muito tempo sob o chuveiro, produz o mesmo efeito.


O cotonete e os objetos que machucam o canal


A segunda causa mais frequente é mecânica. O cotonete não retira a cera, empurra a maior parte para dentro e, no caminho, raspa a pele delicada do canal. Qualquer arranhão vira porta de entrada para infecção. O mesmo vale para grampo, chave, palito e para o hábito de coçar o ouvido com a unha. Fones de inserção também entram na conta quando usados por muitas horas seguidas, porque abafam a ventilação e retêm umidade.


Os sinais que ajudam a reconhecer


O quadro começa com coceira, evolui para dor e pode chegar à sensação de ouvido tampado. A dor piora ao tocar na orelha ou ao pressionar a saliência na frente do canal, detalhe que o médico verifica logo no início do exame. Pode aparecer secreção clara ou amarelada e queda da audição pelo inchaço do canal. Febre não é regra na otite externa, e quando aparece merece avaliação mais atenta.


Como é o tratamento


O tratamento começa pelo exame do canal com otoscópio, o aparelho com luz usado para olhar dentro do ouvido. Esse passo não é formalidade: mostra a extensão da inflamação e confirma se o tímpano está íntegro, o que muda o que pode ou não ser colocado ali dentro. Muitas vezes o especialista faz a limpeza do canal no próprio consultório, sob visão direta, e isso sozinho já alivia bastante, além de permitir que a medicação alcance a pele inflamada.


A partir daí, a conduta é individual e definida por quem examinou. Existem medicações aplicadas diretamente no ouvido, em gota, com composições diferentes conforme a causa seja bacteriana ou fúngica, e existem estratégias para o controle da dor. Nada disso se escolhe por conta própria, e aqui vai o alerta mais importante deste texto: gota de ouvido que sobrou de um episódio antigo, ou que funcionou para outra pessoa, pode causar dano sério se o tímpano estiver perfurado. Só o exame revela isso.


Cuidados práticos que previnem e ajudam na recuperação


  • Seque bem as orelhas depois do banho e da piscina, com a ponta da toalha por fora e inclinando a cabeça para cada lado, sem enfiar nada no canal.

  • Abandone o cotonete. A cera sai sozinha com o movimento natural da pele do canal, e o excesso é retirado em consultório quando necessário.

  • Durante um episódio, mantenha o ouvido seco: evite piscina e proteja o canal no banho, conforme a orientação recebida na consulta.

  • Reduza o tempo de fone de inserção e limpe os fones com regularidade, principalmente em dias quentes e úmidos.

  • Não pingue no ouvido água oxigenada, álcool, azeite, chá ou qualquer receita caseira. Em canal inflamado ou tímpano perfurado, isso piora o quadro.

  • Quem já teve otite externa mais de uma vez deve comentar isso na consulta: existem medidas preventivas específicas para nadadores e para quem tem pele sensível.



Quando procurar o otorrinolaringologista


Dor de ouvido que não cede, coceira persistente, secreção, audição abafada ou sensação de canal entupido já justificam avaliação. Alguns sinais pedem atendimento sem esperar: dor intensa, febre, inchaço ou vermelhidão que se espalha pela orelha e pelo rosto, piora depois de alguns dias de tratamento, tontura ou perda de audição mais acentuada. Pessoas com diabetes, idosos e quem tem a imunidade comprometida merecem atenção redobrada, porque nesses casos a otite externa pode evoluir de forma mais agressiva. O OtorrinoDF tem quatro unidades em Brasília, 33 especialistas e mais de 60 convênios atendidos, e o exame do ouvido é rápido, feito ali mesmo na consulta.

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