Olho lacrimejando: quando a causa está no nariz
Olho que lacrimeja sem motivo aparente, lágrima escorrendo pelo rosto no meio de uma reunião, lenço sempre à mão. Quando isso acontece, a primeira ideia costuma ser procurar o oftalmologista, e muitas vezes é o caminho certo. Mas existe uma parte da história que pouca gente conhece: a lágrima é drenada para dentro do nariz. Por isso, em vários casos, o olho lacrimejando tem origem nas vias nasais, e o otorrinolaringologista tem papel importante na investigação.
O caminho da lágrima: do olho até o nariz
O olho produz lágrima o tempo todo, para manter a superfície úmida e protegida. Depois de cumprir essa função, ela escoa por pequenos orifícios no canto interno das pálpebras, passa por um canal chamado ducto lacrimonasal e desemboca dentro do nariz. É por isso que o nariz escorre quando a gente chora. Se esse caminho fica estreito ou bloqueado, a lágrima não tem para onde ir e transborda pelo rosto. O nome técnico desse sintoma é epífora (lacrimejamento excessivo).
Olho lacrimejando: o que pode ser
As causas se dividem em dois grandes grupos: o olho produz lágrima demais ou a drenagem não dá conta. Entre as situações mais comuns estão:
Rinite alérgica, que inflama o nariz e os olhos ao mesmo tempo e costuma vir com espirros, coceira e coriza.
Sinusite, quando o inchaço das vias nasais dificulta a saída da lágrima.
Obstrução do ducto lacrimonasal, que pode surgir com a idade, depois de inflamações repetidas ou após traumas no rosto.
Desvio de septo ou outras alterações na anatomia do nariz que estreitam a região onde a lágrima desemboca.
Olho seco, que parece contraditório, mas faz o olho produzir lágrima em excesso como reação à irritação.
Conjuntivite, irritação por vento, fumaça ou uso prolongado de telas, situações que pedem avaliação do oftalmologista.
Nos bebês, o lacrimejamento constante em um olho só também pode indicar que o canal lacrimal ainda não se abriu por completo. Nesses casos, o pediatra e o oftalmologista orientam o acompanhamento.
O clima seco de Brasília pesa na balança
Na estiagem, a umidade do ar em Brasília pode ficar abaixo de 20%, e a poeira e a fumaça das queimadas ficam suspensas no ar por semanas. Esse cenário irrita os olhos e o nariz ao mesmo tempo. Quem tem rinite alérgica costuma sentir piora clara nessa época, com nariz entupido, espirros e olhos que ardem e lacrimejam. O ar seco também favorece o olho seco, que, como vimos, pode paradoxalmente fazer o olho lacrimejar mais.
Quando a causa está no nariz
Alguns sinais sugerem que vale incluir o otorrinolaringologista na investigação: lacrimejamento acompanhado de nariz entupido, coriza ou espirros frequentes, sensação de pressão no rosto, histórico de sinusite, ou lacrimejamento que piora em crises alérgicas. Também chama atenção o lacrimejamento que acontece em um lado só e não melhora com o tempo, sobretudo se houver inchaço ou vermelhidão no canto interno do olho, perto do nariz.
Como é feita a avaliação
Na consulta, o otorrinolaringologista conversa sobre os sintomas e examina o nariz por dentro. Muitas vezes é feita a videonasofibroscopia (exame com uma câmera fina que mostra o interior do nariz), capaz de identificar inflamação, pólipos, desvio de septo ou estreitamentos na área onde o canal lacrimal termina. Quando necessário, entram exames de imagem, como a tomografia dos seios da face. Em muitos casos, o trabalho é feito junto com o oftalmologista, cada um avaliando a sua parte do caminho da lágrima.
O tratamento depende do que for encontrado. Controlar uma rinite ou uma sinusite pode bastar para o lacrimejamento diminuir. Quando há obstrução permanente do canal, existe uma cirurgia chamada dacriocistorrinostomia (criação de um novo caminho para a lágrima chegar ao nariz), que hoje pode ser feita por via endoscópica, por dentro do nariz, sem corte no rosto. A indicação é sempre individual, depois da avaliação.
Cuidados práticos no dia a dia
Não use colírios ou sprays nasais por conta própria: alguns irritam ainda mais e podem mascarar a causa.
Na estiagem, beba água ao longo do dia e use umidificador ou bacia com água no quarto.
Faça lavagem nasal com soro fisiológico, conforme orientação médica, para retirar poeira e alérgenos.
Evite coçar os olhos e lave as mãos antes de tocar o rosto.
Faça pausas no uso de telas e use óculos de sol em dias de vento e poeira.
Mantenha a casa limpa com pano úmido, que levanta menos poeira do que a vassoura.
Quando procurar o otorrinolaringologista
Procure avaliação se o olho lacrimejar por mais de algumas semanas, se o sintoma vier junto com nariz entupido, coriza ou dor no rosto, ou se você já trata rinite ou sinusite e o lacrimejamento continua. Busque atendimento com mais rapidez se surgir inchaço, dor ou vermelhidão no canto interno do olho, secreção amarelada ou alteração na visão. Nesses casos, a avaliação do oftalmologista também é importante.
No OtorrinoDF, a equipe de otorrinolaringologistas atende em quatro unidades em Brasília e investiga as causas nasais do lacrimejamento, da consulta à videonasofibroscopia. Agende sua avaliação e descubra se o seu nariz está por trás desse incômodo.
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