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Dor de garganta que não passa: o que pode estar por trás

10 de set.
4 min de leitura

Dor de garganta quase todo mundo já teve, e na maioria das vezes ela vai embora sozinha em poucos dias. O problema é quando não vai. Passa uma semana, passam duas, e aquele incômodo continua ali, às vezes mais fraco, às vezes voltando com força ao acordar. É uma das queixas que mais chegam ao consultório em Brasília, e ela merece atenção justamente porque uma dor que não passa raramente tem a mesma causa de uma dor que dura três dias.


Quanto tempo uma dor de garganta costuma durar


A dor de garganta causada por infecção comum, sobretudo viral, costuma atingir o pico em dois ou três dias e melhorar de forma clara até o sétimo dia. Quadros bacterianos, quando avaliados e tratados por um médico, também tendem a dar trégua rápido. Por isso, a régua prática é simples: dor que ultrapassa dez a quatorze dias sem melhora consistente deixou de ser um resfriado e virou outra história. Não significa necessariamente algo grave, mas significa que vale investigar em vez de esperar mais.



O clima seco de Brasília é a explicação mais frequente


Aqui a resposta muitas vezes está no ar. Entre maio e setembro, a umidade despenca e em muitos dias fica abaixo de vinte por cento. Some a isso a poeira, a fumaça de queimadas e o ar condicionado ligado o dia inteiro no escritório e no carro. A mucosa da garganta resseca, perde parte da camada de muco que a protege e passa a doer continuamente, mesmo sem infecção nenhuma. É a chamada faringite irritativa, e ela tem uma assinatura típica: pior ao acordar, sem febre, com pigarro e sensação de garganta áspera que melhora um pouco depois de beber água.


Quando a garganta é vítima, e não a origem do problema


Boa parte das dores persistentes nasce fora da garganta. A causa mais comum é o gotejamento pós nasal, quando rinite ou sinusite mal controladas fazem secreção escorrer pelo fundo do nariz e irritar a região de forma contínua. Outra suspeita frequente é o refluxo laringofaríngeo (retorno do conteúdo do estômago em direção à garganta), que costuma dar pigarro, rouquidão pela manhã e sensação de bolo na garganta, muitas vezes sem azia alguma. Respirar pela boca durante o sono, roncar, falar muito no trabalho, fumar ou conviver com fumaça também mantêm a garganta inflamada sem que exista qualquer micróbio envolvido.


Dor de garganta pega? O que passa de uma pessoa para outra


Essa é uma dúvida constante, e a resposta depende da causa. O que se transmite não é a dor em si, e sim a infecção que a provocou. Vírus de resfriado e gripe e bactérias como o estreptococo passam de uma pessoa para outra por gotículas de saliva, tosse, espirro e objetos compartilhados. Já a dor causada por ar seco, alergia, refluxo ou uso excessivo da voz não é contagiosa: ninguém pega a sua garganta irritada pelo clima. Na dúvida, os primeiros dias de um quadro com febre são o período de maior transmissão, e é neles que os cuidados de convívio fazem mais diferença.


Cuidados práticos enquanto você investiga


  • Beba água ao longo do dia, em pequenas quantidades e sem esperar a sede. É o cuidado que mais protege a mucosa na estiagem de Brasília.

  • Umidifique o quarto à noite, com umidificador ou uma bacia com água, e evite dormir com o ar condicionado apontado para você.

  • Faça a higiene nasal com soro fisiológico se você tem rinite: reduzir o gotejamento pós nasal costuma aliviar a garganta junto.

  • Poupe a voz nos dias de crise, evitando falar alto, gritar ou forçar o volume em ambientes barulhentos.

  • Evite cigarro, fumaça de queimada e ambientes empoeirados, que mantêm a irritação viva.

  • Se houver suspeita de refluxo, evite refeições pesadas perto da hora de dormir e observe se os sintomas melhoram.

  • Não insista em pastilhas e sprays de farmácia por semanas nem repita a receita de um episódio anterior: eles mascaram o sintoma e adiam o diagnóstico.



Sinais que não devem esperar


Alguns quadros pedem avaliação rápida, sem completar as duas semanas. Dor forte de um lado só que vai piorando, dificuldade para engolir a própria saliva, dificuldade para abrir a boca, voz abafada, inchaço no pescoço que persiste, febre alta que não cede, rouquidão que dura mais de três semanas, perda de peso sem explicação ou qualquer sensação de falta de ar merecem atendimento sem adiamento.


Quando procurar o otorrinolaringologista


Se a dor já passou de duas semanas, se ela volta várias vezes ao ano ou se veio acompanhada de rouquidão persistente, o caminho é a avaliação com o otorrinolaringologista. A consulta costuma resolver a dúvida que meses de tentativa e erro não resolvem, porque o exame permite ver o que está acontecendo por dentro, com videonasofibrolaringoscopia (exame que usa uma ótica fina para visualizar o nariz e a laringe) quando necessário.


No OtorrinoDF são quatro unidades em Brasília, 33 especialistas e mais de 60 convênios atendidos, para que uma garganta que não dá trégua deixe de ser um incômodo adiado.

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